sábado, 3 de março de 2012

FIFA quer chutar o traseiro do Brasil


Ouvir a verdade na ‘lata’ sempre incomoda. Chega a doer. Causa um certo incômodo. Atritos. Todavia, quando essa ‘verdade’ é verdadeira, o sujeito que a ouve, na maioria das vezes, trata logo de desqualificar quem a emitiu. É quase sempre assim. E foi assim com o episódio envolvendo o secretário-geral da FIFA, Jerome Valcke, e o governo brasileiro. “O país precisa de um pontapé no traseiro para acelerar as obras necessárias para a Copa do Mundo de 2014”, teria dito o cidadão.
E isso é mentira? É não. As obras dos estádios estão atrasadas, as reformas de aeroportos emperradas, o sistema de transporte público não anda, a rede hoteleira é de quinta categoria, enfim. Falta muita coisa para o Brasil se proclamar preparado para a Copa. E isso preocupa. Afinal, são obras grandiosas. Não são executados do dia para a noite. Por isso o alerta.
Mas o pior é que o governo brasileiro não engoliu a crítica. É claro que foi deselegante e até antidiplomática, a atitude do secretário da FIFA. Como retaliação, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, anunciou que o governo de Dilma Rousseff não "aceita mais o dirigente como interlocutor". Só porque ele falou a verdade. A verdade que dói.
Resta saber se o Brasil vai tomar vergonha e ‘acelerar’ as obras, ou vai esperar o tempo passar e na hora H arranjar aquele famoso ‘jeitinho’ para as coisas. A Copa do Mundo está aí batendo à porta, pois começa praticamente no próximo ano, com a Copa das Confederações. É esperar para ver.

Gilson Sousa

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Lorene pede passagem


É satisfatório ver de perto o crescimento positivo de alguém. Confesso, é algo que me encharca de orgulho. Seja um filho, um parente, um amigo, um conhecido até. Bom mesmo é ver pessoas progredindo. E eu acabo de testemunhar uma dessas histórias personificada na figura de Lorene Souza Vieira.
Sim, essa eu vi praticamente criança de colo. Compartilhei alegrias, preocupações, aventuras, erros e acertos. Lembro das primeiras festas, os primeiros shows, os primeiros passeios, os presentes, as broncas, cobranças, os carinhos, o respeito, o crescimento. Vi uma pessoa em plena formação.
Por isso tanta alegria. Por que nessa semana a vi colando grau na Universidade Federal de Sergipe. Aquela menina de outrora, naquele momento se transformava, inclusive, numa colega de profissão: uma jornalista. E foi bonito ver Lorene vestida numa beca, anel de formatura no dedo, mente preparada e o espírito repleto de vontade para conquistar novos territórios na profissão.
A propósito, devo ressaltar que para chegar ali ela teve e tem ao lado uma grande mãe. Rígida quando preciso, dócil quando necessário, atenta quando indispensável. Mas acima de tudo, mãezona. Mãe Cirleide. Não só de Lorene, como também de Felipe e Raphael. Os próximos a me encherem de orgulho.
Taí a lição de casa bem feita. Muito boa sorte daqui pra frente, coleguinha.

Gilson Sousa

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pisei em solo de Cleomar


Durante anos de amizade e certa cumplicidade com Cleomar Brandi, que faleceu em julho do ano passado, sempre ouvi histórias e mais histórias de um lugar chamado Ipiaú, sua terra natal. Sem dúvida, era um nome novo para todos os aracajuanos, até porque a Bahia tem mais de 400 municípios e ninguém é obrigado a conhecer um por um. Mas Ipiaú caiu no gosto da gente por conta justamente, é claro, da devoção de Cleomar ao torrão natal.
Dito isso, na semana passada, um dia antes do aniversário de nascimento do velho amigo que se foi, arrumei a mochila e parti rumo a Ipiaú, coisa de mais ou menos uns 700 quilômetros daqui. E haja paisagem pela janela do ônibus da Gontijo até Ilhéus, destino mais próximo. Mas enfim, depois de quase 12 horas de viagem, cheguei a Ipiaú. Uma típica cidade do interior brasileiro. Tem de tudo um pouco. Vasculhei o território de ponta a ponta. Pisei em solo de Cleomar.
Andei pela rua 2 de Julho, na qual ele e seus irmãos nasceram e viveram a infância; passeei pela praça Ruy Barbosa, ponto da cidade que marcou a gurizada; percorri as margens do rio das Contas, a maior referência da infância de Cleomar; conversei com muita gente da cidade, bebi cerveja gelada nos barzinhos do centro; fiz amizade com o jornalista local Zé Américo; e até concedi entrevista na rádio Educadora de Ipiaú. Ou seja, uma viagem proveitosa.
A cidade onde nasceu Cleomar Brandi, cravada na região cacaueira da Bahia, é pequena e organizada. Tem um excelente povo devoto de São Roque, um comércio respeitável e uma acolhida que não faz inveja a cidade alguma da Bahia. Tudo do jeito que Cleomar preconizava. Aliás, saí de lá com a informação de que nosso Cleomar Brandi (e deles também) vai virar nome de rua na cidade. Uma homenagem justa a um filho ilustre. Vida longa a Ipiaú.

Gilson Sousa

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O réveillon da minha prima


E eu que pensei que começaria 2012 sossegado. Mergulhado num mar de tranqüilidade porque minha prima tinha ido pra Capela, e eu, enfim, ficaria uns dias serenado em meu apartamento. Mas que nada. Nem bem amanheceu o primeiro dia do ano e olhe ela de volta. Cheia de ziriguidum e disse-me-disse. Reclamando da vida porque alega que comeu demais no Natal e no réveillon e está muito ‘cheinha’. Bem feito.
Eu continuo não dando bola pra essa moça de tanta sibiteza. Só tolero em minha casa para confortar tio Herinaldo, que já foi pro céu, e tia Malvina, que sequer enxerga mais. Mas essa prima não merece. Eu percebi que ela chegou com um bafo de goró retado. Já veio me enjoando. Pediu para eu dar banho nela. É mole? Fiz que não ouvi. Fui me esconder na cozinha. Aí ela veio com um papo de ‘João sem braço’. Perguntou se eu tinha guardado peru para ela comer. ‘Oxente’, eu disse. ‘E você não tava reclamando que engordou?’. Mas ela nem liga.
Já estou percebendo que vou ter que aturar essa moça mais um bocado. Só para me engabelar, ela de vez em quando fica dizendo que gosta de mim. Diz que eu sou a salvação dela. Que faria qualquer coisa por mim. E diz até que me daria qualquer coisa, caso eu precisasse. Só que não caio nesse papo dela não. Ela gosta de me maltratar. Sabe que eu sou meio besta.
Ontem mesmo, antes de ir dormir, queria que eu fizesse cafuné nela. Pediu massagem nas coxas, pois tinha caminhado muito em Capela. Não fiz não. É muita ousadia. Mas aí ela fez um bico danado, pediu pelo amor de Deus e eu cedi. Mas só um pouquinho. Até porque ela pegou logo no sono. Tava cansada. No outro dia acordou me contando que sonhou com o estouro dos fogos de artifício dentro do quarto. Eu fiquei calado.

Gilson Sousa

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz Livro Novo


Quando 2011 começou, ele era todo seu. Foi colocado em suas mãos...
Você podia fazer dele o que quisesse ...
Era como um Livro em Branco, e nele você podia colocar: um poema,
um pesadelo, uma discussão, uma amizade, uma oração.
Podia...
Hoje não pode mais; já não é seu.
É um livro já escrito...
Concluído.
Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe será
lido, com todos os detalhes e você não poderá corrigi-lo.
Estará fora de seu alcance.
Portanto, antes que 2011 termine, reflita, tome seu velho livro e o
folheie com cuidado.
Deixe passar cada uma das páginas pela sua consciência;
Faça o exercício de ler a você mesmo.
Leia tudo...
Aprecie aquelas páginas de sua vida em que você usou seu melhor estilo.
Leia também as páginas que gostaria de não ter escrito.
Não, não tente arrancá-las.
Seria inútil.
Já estão escritas.
Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que lhe será entregue.
Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e evitar repetir as ruins.
Para escrever o seu novo livro, você contará novamente com o
instrumento do livre arbítrio, e terá, para preencher, toda a imensa
superfície do seu mundo.
Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije-o.
Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir, coloque-o nas
mãos do Criador.
Não importa como esteja...
Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras:
Me DESCULPE e OBRIGADA!
Demonstre humildade!
E, quando 2012 chegar, lhe será entregue outro livro,
Novo, limpo, branco todo seu,
no qual você irá escrever o que desejar,
Apenas lembre-se de não cometer os mesmos erros ou enganos,
lembrando-se que Jesus diz: "Cada um colhe o que semeia”.
Assim, proponha-se desde já, usar seu Livre-Arbítrio para escrever no
Novo Livro o quanto vai amar mais, ser mais paciente, granjear
amizades, relevar atitudes
impensadas como também evitar cometê-las, ser mais compreensivo,
amoroso, dedicado, altruísta;
Enfim... fazer aos outros o que gostaria que lhe fizessem!

FELIZ LIVRO NOVO!!!

* Texto extraído da internet.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Thiago Neves vale muito mais que um hospital


Você tem ideia de quanto vale o dinheiro que carrega no bolso, na carteira ou mesmo na conta bancária? Nem eu. O que sei é que nesse sistema capitalista cada vez mais perdemos a noção de valores. Tanto na ética, na moral, nos costumes, quanto na economia, na sobrevivência.
Digo isso porque fiquei estarrecido – não é de agora – com certos valores financeiros gastos com o futebol brasileiro. E olha que não me refiro ao topo da tabela. Nem muito menos ao pagamento de altíssimos salários de jogadores e técnicos. Mas ontem mesmo li matéria nos jornais dizendo que o Flamengo deverá desembolsar cerca de R$ 18 milhões para contar com o jogador Thiago Neves na temporada 2012. Esse é o valor a ser pago pelo passe que pertence a um time da Arábia. Em seguida, li outra matéria dizendo que o governo do Estado de Sergipe gastou R$ 15.936.019,55 para construir um hospital regional em Estância. E aí?
Aí que a cabeça entrou em parafuso. É claro que o futebol é uma instituição importante para o povo brasileiro. É uma espécie de ópio. Mas há tempos estamos supervalorizando as coisas por aqui. Não é justo investir tanto dinheiro assim para um cara jogar bola. Justo é gastar na construção de um hospital, de uma escola. Ou não? Mas quem é que vai ligar para isso, né.
Em tempo: o hospital regional de Estância inaugurado ontem conta com 107 leitos para internamentos, com salas divididas para adultos, pediatria, UTI, isolamento e puerpério (pós-parto). Como nos padrões internacionais, trabalha com as áreas vermelha, amarela e verde. Possui ainda um bem equipado Centro Cirúrgico com salas para cirurgias, partos, pré-parto e recuperação pós-anestésico. Quanto ao jogador do Flamengo, Thiago Neves, sequer vai ajudar o time a conquistar uma vaga na Libertadores da América do ano que vem. Mas deixe isso para lá.

Gilson Sousa

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O país das faculdades perebentas


A desvairada sede do governo brasileiro em oferecer vagas em cursos de nível superior país afora, está mostrando sua verdadeira cara e obtendo seus reais efeitos. Após mais uma desastrosa avaliação dos cursos através do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que mede o rendimento dos alunos de graduação, ingressantes e concluintes, o Ministério da Educação (MEC) achou por bem punir com medida cautelar 60 faculdades que tiveram o Índice Geral de Cursos (IGC) abaixo de 1,45 em 2010 e conceitos insatisfatórios (1 e 2) nos dois anos anteriores. Algo vergonhoso no mundo do ensino superior.
Sergipe não teve nenhuma de suas faculdades incluídas nesta lista de 60, mas em compensação, na avaliação deste ano, apenas a UFS e Unit obtiveram nora 3, de um total de 5. As demais, entre elas Pio Décimo, Fanese e Fama, ficaram com 2. Ou seja, nada vai bem no ensino superior local. E por que isso acontece? Porque o ensino superior virou uma mercadoria. Para o governo, o que interessa é o número alto de gente matriculada nas instituições. A qualidade do ensino/aprendizagem é o que menos importa. Importa mesmo é sair dizendo mundo afora que ‘tantos milhões’ de jovens brasileiros frequentam o ensino superior. Isso sim pega bem.
Enquanto essa tragédia persiste, constatamos por aí a formação de péssimos profissionais da área de saúde, horríveis advogados, inacreditáveis professores e até espantosos engenheiros. E aí querem chamar esse país de desenvolvido. A propósito, nessa historia toda de reprovação de faculdades, doeu mesmo foi ver o nome de uma das instituições ´perebas’ do Rio de Janeiro incluído na lista: Faculdade Machado de Assis (Fama-RJ), com nota 1,36. “Nosso mestre da literatura, o velho bruxo das letras, não merecia tal decepção”, diria o leitor.
Quanto às punições, segundo o MEC, as instituições incluídas na lista ficam proibidas de aumentar a oferta de vagas em seus cursos de graduação e pós-graduações lato sensu, têm suspensos os recredenciamentos e autorizações de cursos (processos que validam os diplomas dos alunos) e irão ficar sob supervisão do ministério até que sanem as deficiências. Bem feito.

Gilson Sousa