terça-feira, 9 de junho de 2009

Palmas para a Orquestra Sanfônica de Aracaju


O fato é inédito. Enquanto um monte de babaca por aqui fica reverenciando as bandas de axé da Bahia, os músicos sergipanos da pouco prestigiada Orquestra Sanfônica de Aracaju foi convidada para fazer o show de abertura no São de João de Salvador. Fiquei sabendo disso através de e-mail indignado do baiano/sergipano Cleomar Brandi, que não constatou repercussão da notícia na mídia local. “Cadê o bairrismo do
sergipano? Netinho, em plena decadência (alguém aí pode cantarolar, agora, uma música do bombado?), chega em Aracaju e ainda tem tapete vermelho”, queixou-se o jornalista.
Pois bem. O show da Orquestra Sanfônica de Aracaju será amanhã, dia 10, quarta-feira, no Terreiro de Jesus, às oito da noite. “Cadê os fogos para os integrantes da Sanfônica? É capaz de voltarem para Aracaju, depois de muitos aplausos em Salvador, e ninguém notar aqui em Aracaju. Tá dado o recado”, disse Cleomar.
Pelo o que apurei, a orquestra sergipana abre a festa em Salvador. Logo depois os forrozeiros Elba Ramalho e Targino Gondim sobem ao palco principal. Enquanto isso, as televisões daqui, com a síndrome da autopromoção, continuam dando ênfase somente aos seus concursos de quadrilhas juninas e outras coisas semelhantes. A propósito, é bom lembrar que o grupo de sanfoneiros aracajuanos irá abrir pela terceira vez consecutiva o Forró Caju, no dia 18.
Só para reforçar: a Orquestra Sanfônica de Aracaju foi criada em 2007 pela Prefeitura de Aracaju e é formada por músicos e professores da Escola Oficina de Artes Valdice Teles. O objetivo foi incentivar novos acordeonistas e levar para a sociedade o que há de mais representativo na cultura sergipana. O grupo é um encontro de três gerações, com integrantes com idades entre 17 e 75 anos, e conta com a participação de duas mulheres. São 29 artistas, entre os quais 25 sanfoneiros, três percussionistas e um baixista.

Gilson Sousa

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Fornece-se marmita e aplica-se injeção


Chico Ribeiro Neto (chicoribe@gmail.com) é jornalista

Os cartazes de bares e lanchonetes populares são uma lição de humor e sabedoria. Minha amiga Regina Castro foi supervisora escolar na região de Paulo Afonso, na Bahia. Nos primeiros dias, enfrentou grande reação das professoras, principalmente das mais velhas.
Morando sozinha numa pensão, naquele calor infernal de Paulo Afonso, insatisfeita com o trabalho, foi fazer um lanche e estava espetado num pastel o seguinte aviso: “O sonho acabou”.
Um amigo me conta que viu o seguinte cartaz numa loja do interior baiano: “Internet/ Game/ Xerox/ E aceitamos encomenda de pastel”. Ou então aquele de uma barbearia: “Corto cabelo e pinto”.
Não vender fiado também é motivo para muitos cartazes. O mais famoso, talvez, é o curto e grosso “Fiado só amanhã”. Havia também outro que fazia muito sucesso nos armazéns e bares: “23 já me falaram em fiado. Só falta você”.
Havia um boteco na Avenida Vasco da Gama, em Salvador, onde uma das principais atrações era o tira-gosto de testículo de boi. O dono, muito preocupado com as mulheres que freqüentavam o local, escreveu num cardápio, que era um pedaço de papelão: “Q. De Boi”.
Perto do Carnaval, na entrada da Roça da Sabina, no Chame-Chame, um cartaz no muro: “Alugo quarto para Carnaval. Tratar com Baco”.
Outro texto fantástico de um cartaz me foi passado uma vez pelo professor Cid Teixeira, um retrato da “viração” da classe média para sobreviver. Na janela de uma casa do bairro do Santo Antônio, também em Salvador, estava lá escrito:
“Fornece-se marmita
Aplica-se injeção
Cobre-se casa
Forra-se botão”.

sábado, 6 de junho de 2009

Covardia tem preço, sim senhor!


Estão sem rumo os policiais militares que buscam melhorias salariais para a categoria de trabalhadores, mas que não sabem conduzir com precisão os seus pleitos junto ao poder executivo estadual. O episódio deprimente desta semana, quando dezenas deles que estavam na Assembléia Legislativa deram as costas ao deputado Francisco Gualberto, líder do governo, é o sinal mais evidente disto. Aliás, não custa nada frisar que historicamente os covardes sempre dão as costas. Isso é fato.
Dar as costas a quem está falando com você ou pra você faz parte do processo de interesses, mas está no campo da covardia. Integra a índole daquele que não tem coragem de ouvir, de olhar nos olhos, de suportar seja lá o que for, e até de reconhecer seu papel de momento. Mas o bom é saber que a atitude insana daqueles poucos militares não incomodou o parlamentar que já fez história nos movimentos sociais e sabe muito bem enfrentar cara feia, xingamentos, cusparadas, porradas e outras coisas mais.
A propósito, o deputado desprezado sabe reconhecer bem a luta dos militares. Acha justa. Ajudou em muitos aspectos nos últimos dois anos e abriu caminho para ganhos salariais históricos na corporação de 2007 para cá. E nada disso é levado em conta. “Quem passou vinte anos tendo suas carreiras destruídas, logicamente vai ter que lutar muito pela recuperação. Isso nós temos compreensão. Mas o que não concordamos, e podem ficar de frente, de lado, de costas, de bandinha, é que se bata palma para inimigo e transforme aliado em adversário”, foi o recado de Gualberto.
Pela história do deputado em favor dos trabalhadores, posso afirmar que os militares cometem injustiça. Usam a tática errada. Se querem avanços, precisam pensar melhor nos atos. Principalmente quando buscam aliados para a briga. Mas se não agüentam ouvir as verdades colocadas por quem conhece o processo de negociação, então não percam tempo indo às galerias da Assembléia Legislativa para fazer somente número e uma pressão sem nexo. Muitas vezes deixando a sociedade à mercê dos bandidos e fugindo de sua responsabilidade estatutária e moral.

Gilson Sousa

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Democratização da internet é isso aí, ó...


Alguém por aí ainda se espanta quando vê pelas ruas carroceiros, garis ou indigentes portando aparelhos celulares e outros equipamentos eletrônicos de relevante valor. Não é verdade? Pois bem. Hoje ao navagar pela internet dei de cara com uma informação inusitada, muito bem ilustrada e difícil de acreditar, caso fosse no Brasil, é claro.
Pelas ruas de grandes cidades dos Estados Unidos da América, dezenas de mendigos, desabrigados e desafortunados utilizam laptops próprios para se comunicar com o mundo ou simplesmente passar o tempo, enquanto aguardam migalhas dos transeuntes. Tá pensando que é mentira?
Segundo a notícia, “parece cena de filme ou montagem, mas não é. Para quem não sabe, nos EUA, alguns sem-teto habitualmente utilizam abrigos sociais e bibliotecas públicas para manterem-se ligados ao mundo virtual. Usando laptops, eles acabam criando imagens pouco convencionais”.
E mais: “Um exemplo disso é o Sr. Pitts (foto). Segundo o The Wall Street Journal, o sem-teto afirma que conhece vários “locais secretos” ao redor da cidade de São Francisco, onde consegue obter sinal de internet gratuitamente, como no metrô, por exemplo. Surreal? Vários deles possuem blogs, twitter, gerenciam fóruns na internet e mantém-se em contato com amigos através de e-mail”.
Então, você ainda vai duvidar do poder da tecnologia? Então confira no blog http://colunistas.ig.com.br/obutecodanet/2009/06/05/jornal-divulga-inusitadas-fotos-de-mendigos-online-usando-notebooks/

Gilson Sousa

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O “HOMO ETILICUS”


Paulo Lobo (paulolobo@infonet.com.br)


Silvio Rocha, além de bom amigo e fotógrafo competente, é também um conhecido cantor das noites sergipanas. É figurinha carimbada em vários bares de Aracaju com seu violão educado, repertório eclético e uma indisfarçável simpatia.
Como a maioria dos músicos da noite, Silvio gosta de tomar uma cervejinha gelada e de bater um bom papo numa mesa de amigos. Até aí nada demais.
Acontece que a coisa vem tomando proporções preocupantes de uns tempos pra cá. A cervejinha eventual do fim de semana tem se transformado em coisa do passado. Agora o consumo é diário e em proporções cavalares. Os amigos estão preocupados.
Até o jornalista Cleomar Brandi, um dos maiores consumidores de conhaque de que se tem notícia por estes costados, anda fugindo do Silvio Rocha como o diabo da cruz.
- Silvio ta vindo aí! – Diz Gilson Sousa, com semblante preocupado.
- Êêpa, então bora se picar daqui! - Anuncia Cleomar, quase levantando da cadeira de rodas.
Também pudera. Onde Silvio chega não sobra uma mísera cerveja e a farra se estende até o sol nascer. Diversos amigos perderam reuniões importantes ou ganharam cefaléias homéricas por conta das tertúlias silviorocheanas.
Não obstante os protestos dos companheiros de bar, Silvio desenvolveu uma técnica ainda mais sofisticada: para evitar as reclamações dos garçons e donos de bares que cansados da noitada, ameaçam fechar seus estabelecimentos, Silvio já passa num deles com uma caixa de isopor, manda preparar alguns tiragostos, feito isto, põe toalha de banho e escova de dentes num bornal e chega de surpresa na casa de um amigo.
Lá, abre a cerveja, põe os petiscos na mesa e começa a dedilhar o violão. Como a pessoa já está em casa mesmo e o arsenal de comes e bebes já está garantido, Silvio fica tranqüilo. Sabe que a casa dificilmente será fechada e a farra não será interrompida. Qualquer coisa é só cochilar alí no sofá mesmo. No último domingo eu fui vítima da “Silvio Delivery”, a nova técnica deste verdadeiro “Homo Etilicus”. Todo cuidado é pouco!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Tiro o chapéu para o Samu 192


Graças a Deus continua eficiente esse Samu - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência -, em Aracaju. Fui testemunha disso hoje pela manhã. Da varanda de casa, em frente ao Extra, presenciei um motociclista atropelar um ciclista bem na faixa de pedestre que fica na saída do viaduto do DIA, sentido Centro. Foi um corre-corre. O moço da bicicleta estatelado no asfalto quente e um monte de gente parando ao redor. Logo, as pessoas mais sensatas sacaram o celular e ligaram 192.
Dali da varanda fiquei atento a tudo. Em menos de 10 minutos – não contabilizei com precisão o tempo – a ambulância do Samu chegou ao local, fez os primeiros atendimentos e logo depois removeu a vítima para um hospital. Achei bacana. Não conheço números oficiais sobre atendimentos na cidade feitos pelo Samu, mas também não procurei. Creio que são muitos, pois nosso trânsito é uma loucura. Principalmente nos últimos anos, com a entrada em circulação de milhares de motocicletas e motonetas que são vendidas até em supermercados.
É importante dizer que agentes de trânsito também chegaram rápido ao local e conseguiram organizar o vai-e-vem de veículos que cruzavam a parte de baixo do viaduto na hora de pico. Já o motoqueiro que causou o acidente, bem na faixa de pedestres, ficou no local com um dos guardas da SMTT esperando pela perícia. Aí demorou bastante. Bem feito.

Gilson Sousa

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Liberdade de imprensa é a nossa meta


Valeu à pena se juntar a alguns colegas profissionais de comunicação e participar de uma manifestação ordeira que lembrava o Dia da Imprensa, hoje, 01/06. Não éramos muitos na Praça Fausto Cardoso, mas éramos significantes. À frente da manifestação estava o presidente do Sindijor, George Washington, de microfone em punho e alertando a sociedade para os riscos e perrengues da nossa profissão.
Estávamos ali, na tarde ensolarada aracajuana, para defender as seguintes pautas: Em defesa da Liberdade de Imprensa, e não "de empresa"; Contra a Criminalização dos Jornalistas; Em favor da Democratização das Comunicações; e em defesa do Diploma de Jornalista. Tudo muito justo, considerando a importância da nossa atividade profissional.
Boa parte dos colegas diretores do sindicato marcou presença. Representantes de outras categorias profissionais também marcaram presença no ato, a exemplo de bancários, policiais militares, agricultores, radialistas. Todas as emissoras de televisão daqui passaram por lá e registraram nossa manifestação, assim como emissoras de rádio e jornais impressos. Enfim, valeu Sindijor. Vamos continuar na luta por uma imprensa mais livre, mais democrática, mais responsável e sempre parceira da ética.

Gilson Sousa