quarta-feira, 2 de março de 2011

A promessa


Ela prometeu um bocket daqueles. Não fosse isso, dificilmente eu faria aquela trapaça novamente. O serviço nunca me apeteceu. Mas ela sim. Desde a última vez, no fundo do barraco, não parei mais de pensar naquela boca. Os amigos dizem que eu sou tarado, mas quem não seria? Eu só não gostava do serviço. Essa história de fazer gente pobre igual a mim sofrer não me agrada. A cada assalto, um perrengue. Um aperto na mente. Mas agora estou aqui nessa cadeia. Com muito tempo para devaneios. Só sei que o dinheiro do último roubo ficou todo com ela. O desejo ficou todo comigo. E tá difícil parar de pensar naquela boca. Tá difícil.

Gilson Sousa

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

River sacudiu o Botafogo


Muito engraçada a chamada grande imprensa nacional. O Botafogo do Rio de Janeiro, o tal Glorioso, veio a Aracaju nesta quarta-feira e tomou um sacode do modesto River Plate, de Carmópolis, no Batistão, pela Copa do Brasil. Sim, o Botafogo, time da estrela solitária, com Loco Abreu e tudo, perdeu por 1 a 0 e saiu de campo vaiado. Aí sabe o que a imprensa ‘sulista’ estampou nas manchetes da internet logo após a partida? “Botafogo joga mal e perde para o River Plate-SE na Copa do Brasil”.
Quanta balela. Por que ninguém de lá tem a coragem de escrever que o River foi melhor em campo e mereceu a vitória nesta partida, apesar da clara diferença de nível técnico entre as equipes? Aliás, a vitória do River poderia ter sido mais elástica, não fossem as chances desperdiçadas pelos sergipanos. De qualquer forma, o River Plate foi melhor, sim, e a partir de agora merece mais respeito por parte do Botafogo e da imprensa nacional. E não se enganem. Para continuar na Copa, os cariocas terão que vencer no Engenhão por dois gols de diferença no jogo de volta.
Portanto, eu sei, você sabe, e todo mundo por aí sabe que no futebol tudo pode acontecer. O Botafogo pode até se classificar diante do River na próxima quarta-feira, às 19h30, no Rio de Janeiro, mas já tomou um susto daqueles por aqui. Sabe que vai ter que suar muito a camisa para reverter o resultado. Uma vitória pelo placar mínimo leva a partida para os pênaltis. Caso o Botafogo vença por 2 a 1, por exemplo, o River Plate se classifica, já que o gol fora de casa é critério de desempate. E aí eu quero ver e ler o que vai estampar nas manchetes a imprensa do lado de lá.

Gilson Sousa

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O Cânion encantado

Tenho acompanhado com satisfação os textos dos amigos jornalistas Dílson Ramos e Rosangela Doria no blog ‘Um olhar atento’ (http://www.dilsonramosjc.blogspot.com), descrevendo as belezas naturais de Canindé do São Francisco, e a partir daí resolvi levar amigos meus do Rio de Janeiro para desfrutar também desse encanto. Pena que o tempo era curto e o único passeio possível foi mesmo o tradicional Cânion de Xingó, um dos maiores espetáculos da Terra.
Partimos, então, eu, Marco e Leila Parada. Ela, jornalista experiente que atualmente trabalha na Câmara Municipal do Rio. Ele, cinegrafista não menos experiente que hoje trabalha no departamento de dramaturgia da Rede Globo. Está escalado, inclusive, para filmar cenas da novela global que terá Canindé como cenário, Cordel Encantado.
Dito isso, a única coisa que cansa mesmo é a viagem. Principalmente para quem vai em veículo próprio, pois são cerca de 420 quilômetros de estradas entre ida e volta. No entanto, o bom é afirmar que o passeio de catamarã pelas águas do Rio São Francisco rumo ao cânion supera e compensa qualquer sacrifício. E foi o que aconteceu com a gente. O casal carioca, principalmente, chegou a chorar de emoção durante o percurso pelo Velho Chico. Muito lindo.
E tudo muito profissional. Desde o restaurante até os serviços de bordo no catamarã. Para mim, o único pecado ainda é não poder pagar o passeio (R$ 50,00 por pessoa) com cartão de débito. Um atraso, que deve ser logo corrigido pelos empresários do setor. Mas o que importa mesmo é que o passeio vale à pena para qualquer turista desse mundo. Méritos, eu diria, para Silvia Oliveira, secretária de Turismo de Canindé, e sua equipe de trabalho. E viva o Brasil.

Gilson Sousa

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A prima churrasqueira


Assim já é muita provocação. Domingo de sol, resolvi convidar uns amigos para um churrasco na casa de praia que alugamos na Aruana. Levei minha prima, é claro. Depois que veio do interior para morar no meu apartamento em Aracaju, não desgruda mais de mim. Um saco. Mas tenho que agüentar, afinal é família.
Então tá. Durante a farrinha, cerveja e MPB rolando à vontade, deixei-a encarregada de preparar o fogo na churrasqueira para começar a colocar as carnes. Todo mundo despreocupado. Afinal, é bom ter uma mulher habilidosa nesse tipo de preparativo festivo. E nisso minha prima é nota 10, imaginava eu.
Imaginava, pois sim. Passados vários minutos desde que a ordem foi lançada, eis que fui verificar em que ‘ponto’ estava o churrasco. Qual o quê! Nada de churrasco. A prima, exibida que só ela, estava era se bronzeando perto da churrasqueira. Meteu um biquíni daqueles e ficou lá... Tudo isso para delírio dos meus amigos e ira da minha pessoa. Nada de churrasco. E agora?
“A gente come outras carnes”, sugeriu um gaiato. Eu fiz que não entendi. Estou ficando cheio dessas presepadas da prima. Tio Herinaldo, que já foi pro céu, e tia Malvina, que sequer enxerga mais, também não aprovariam isso. Fiquei p da vida e resolvi ser duro com aquela menina de Capela. “Se continuar me desobedecendo, mando você de volta para o interior”, eu disse. “Você não tem coragem”, ela respondeu. É mole?
Sei não. Só sei que depois pensei direito e deixei a bichinha ficar curtindo o bronzeado dela. Ainda mais depois que pediu, com tanto dengo, para eu passar o óleo bronzeador nas costas e em outras partes do corpo que ela não podia alcançar direito. Quanto ao churrasco, chamei o Bugildo e determinei que tomasse conta da churrasqueira. É trabalho demais para a prima. Além do mais, não quero deixá-la exausta jamais.

Gilson Sousa

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Lula, o doutor


O bando de preconceituoso desse país teve que engolir a seco o fato de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva receber na Universidade Federal de Viçosa (MG), o seu primeiro título de doutor honoris causa. Logo ele, um homem tão criticado pelos imbecis por não possuir um diploma universitário. Pois bem.
Nesta sexta-feira, 28, o nosso histórico ex-presidente, que já havia dito que só aceitaria receber esse tipo de honraria após deixar o governo, foi homenageado pela universidade mineira e a partir de agora tem que ser tratado da mesma forma como os que obtiveram doutorado acadêmico. Ou seja, é um doutor sim senhor. Doa em quem doer.
“Vocês não têm dimensão de como um homem que já passou por todas as emoções que um homem pode passar se sente emocionado ao receber hoje o meu quarto diploma: o primeiro diploma do primário, o segundo diploma do Senai, o terceiro diploma de presidente da República e o quarto diploma, de doutor honoris causa aqui da Universidade Federal de Viçosa”, disse o ex-presidente Lula.
E completou: “Vocês não imaginam o que vai acontecer neste mundo agora, quando as pessoas olharem para mim com desdém, porque eu não tenho diploma universitário, e eu vou mostrar aquela foto, vestido como doutor honoris causa de Viçosa”. Muito bom.
Certamente outras homenagens virão por esse Brasil afora. Nada mais justo. Afinal, o homem sem diploma universitário foi o responsável pela significativa transformação da realidade do ensino superior no Brasil. Não há quem conteste.

Gilson Sousa
Fonte: www.ig.com.br

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Filho de político tem que estudar em escola pública


Quando se trata de parlamento no Brasil, a produção de ideias originais para mudar de forma significativa a qualidade de vida do povo desse país é um desastre. No entanto, um projeto de lei apresentado em 2007 pelo senador Cristovam Buarque merece atenção máxima e até manifestações favoráveis pelas ruas do país.
Trata-se de uma lei que obriga políticos eleitos a matricularem seus filhos em escolas públicas. De acordo com a proposta do senador, todo político eleito (vereador, prefeito, deputado, etc.) seria obrigado a colocar os filhos na escola pública.
As conseqüências, segundo ele, seriam as melhores possíveis. Isso porque quando os políticos se virem obrigados a colocar seus filhos na escola pública, a qualidade do ensino no país irá melhorar. E todos sabem das implicações decorrentes do ensino público que temos no Brasil, é verdade.
Hoje não tenho conhecimento do andamento do projeto no Senado. Sei apenas que diz respeito ao Projeto de lei nº 480, de 2007, e o texto deixa claro que o assunto deverá estar em vigor em todo o país, no máximo, até janeiro de 2014. Vale à pena ler o conteúdo do projeto através do link: http://www.senado.gov.br/atividade/Materia/getPDF.asp?t=51480.
E ainda que você acredite que não pode fazer nada a respeito da aprovação ou não do projeto no Senado, pelo menos passe adiante o assunto e busque uma discussão com alguém que possa fazer algo de mais concreto. Essa seria uma gigantesca contribuição para o desenvolvimento cultural e educacional desse país.

Gilson Sousa

sábado, 8 de janeiro de 2011

Flamengo das grandes besteiras


De uma coisa eu tenho certeza: o Flamengo é um time tão grande que não se contenta com pouca besteira. Não basta ser campeão brasileiro em um ano e no seguinte brigar para não ser rebaixado. Não basta trazer o eterno ídolo Zico para integrar a diretoria e meses depois enxotá-lo feito cão vira-lata. Não basta ocupar páginas policiais na imprensa mundial e fazer de conta que está tudo bem. Não, nada disso basta.
Agora o Flamengo, o maior e mais desorganizado time do futebol brasileiro, quer contratar o veterano Ronaldinho Gaúcho para aumentar suas dores de cabeça. Ou melhor, as dores de cabeça da torcida. Disso não tenham dúvidas. O cara é bom de bola, sim. Mas é marrento. É uma espécie de garoto-problema. Só joga bola quando quer jogar. Tem dinheiro demais. Vai ganhar dinheiro demais. Sem delongas, vai criar clima de insatisfação no elenco do time. E no final das contas, não vai render muita coisa.
Escrevam aí: o cara vai ficar tanto tempo entregue ao departamento médico, que a torcida vai começar a exigir sua saída. O único ponto positivo nessa história toda, e é por esse ângulo que estão enxergando a coisa, é o chamado investimento de marketing. Espera-se, pelo menos, que com ele no elenco seja possível vender ainda mais camisas oficiais, assim como outros produtos temáticos do Flamengo. Talvez seja o que resta para amenizar o tamanho da primeira grande besteira de 2011.

Gilson Sousa