
Assim já é muita provocação. Domingo de sol, resolvi convidar uns amigos para um churrasco na casa de praia que alugamos na Aruana. Levei minha prima, é claro. Depois que veio do interior para morar no meu apartamento em Aracaju, não desgruda mais de mim. Um saco. Mas tenho que agüentar, afinal é família.
Então tá. Durante a farrinha, cerveja e MPB rolando à vontade, deixei-a encarregada de preparar o fogo na churrasqueira para começar a colocar as carnes. Todo mundo despreocupado. Afinal, é bom ter uma mulher habilidosa nesse tipo de preparativo festivo. E nisso minha prima é nota 10, imaginava eu.
Imaginava, pois sim. Passados vários minutos desde que a ordem foi lançada, eis que fui verificar em que ‘ponto’ estava o churrasco. Qual o quê! Nada de churrasco. A prima, exibida que só ela, estava era se bronzeando perto da churrasqueira. Meteu um biquíni daqueles e ficou lá... Tudo isso para delírio dos meus amigos e ira da minha pessoa. Nada de churrasco. E agora?
“A gente come outras carnes”, sugeriu um gaiato. Eu fiz que não entendi. Estou ficando cheio dessas presepadas da prima. Tio Herinaldo, que já foi pro céu, e tia Malvina, que sequer enxerga mais, também não aprovariam isso. Fiquei p da vida e resolvi ser duro com aquela menina de Capela. “Se continuar me desobedecendo, mando você de volta para o interior”, eu disse. “Você não tem coragem”, ela respondeu. É mole?
Sei não. Só sei que depois pensei direito e deixei a bichinha ficar curtindo o bronzeado dela. Ainda mais depois que pediu, com tanto dengo, para eu passar o óleo bronzeador nas costas e em outras partes do corpo que ela não podia alcançar direito. Quanto ao churrasco, chamei o Bugildo e determinei que tomasse conta da churrasqueira. É trabalho demais para a prima. Além do mais, não quero deixá-la exausta jamais.
Gilson Sousa