
É triste para o telespectador brasileiro essa guerra comercial entre emissoras de grande porte que buscam exclusividade em suas transmissões de eventos. Isso, justamente, irá acontecer agora mais uma vez com a transmissão dos XVI Jogos Pan-Americanos que acontecerão na cidade de Guadalajara, México, entre os dias 14 e 30 de outubro. A Rede Record, segunda maior emissora brasileira, mostrará com exclusividade. Resultado: a Rede Globo, maior emissora, não dará uma só nota sobre o evento. Apesar da importância.
Para o telespectador fica no ar um sinal de frustração. É claro que a Record está investindo pesado no trabalho. Mas muita gente ainda não costuma sintonizar no canal. Aliás, em muitos lugares de Sergipe o sinal sequer chega. E no Brasil afora deve ser assim também. Porque aí entra uma questão de investimento em satélites e coisa e tal. E nisso a Globo é imbatível. Mas vai privar os brasileiros de acompanhar tão importante competição esportiva das Américas. A não ser que seja pra falar mal de alguma coisa, justamente para ‘queimar’ a concorrente.
É bom lembrar que os Jogos Pan-Americanos reúnem os atletas do continente americano em um festival de esportes e amizade internacional. O evento acontece a cada quatro anos, sempre no ano que antecede aos Jogos Olímpicos. O último havia sido no Rio de Janeiro, com cobertura estrondosa da Globo. Nesse agora, quem gosta de Globo Esporte, Esporte Espetacular e até dos programas da Sportv, que é o canal pago da Globo, ficará sem saber de nada do Pan-Americano do México. Lamentável. Talvez apenas emissoras menores como Band, SBT e outras se interessem em divulgar notas e flashs das competições que envolvem atletas brasileiros.
Para quem não sabe, essa guerrinha também alcança as coisas locais. Aqui mesmo no blog eu já havia criticado a pequenez da TV Sergipe (Globo) quando a TV Atalaia (Record) detinha a exclusividade para transmissão do pobre campeonato sergipano de futebol. Era desprezo total à competição por parte dos ‘globais’ nativos. E assim prossegue a guerra das poderosas. Como foi durante o recente Rock in Rio, no Rio de Janeiro. Como era evento com o dedo da Globo, apesar da dimensão mundial, a Record fazia de conta que não existia. E nisso tudo só quem perde é o telespectador, mesmo ciente de que as emissoras são uma concessão pública, com deveres e obrigações perante o público, pobre público.
Gilson Sousa






