sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Jogos Pan-Americanos de Guadalajara serão para poucos


É triste para o telespectador brasileiro essa guerra comercial entre emissoras de grande porte que buscam exclusividade em suas transmissões de eventos. Isso, justamente, irá acontecer agora mais uma vez com a transmissão dos XVI Jogos Pan-Americanos que acontecerão na cidade de Guadalajara, México, entre os dias 14 e 30 de outubro. A Rede Record, segunda maior emissora brasileira, mostrará com exclusividade. Resultado: a Rede Globo, maior emissora, não dará uma só nota sobre o evento. Apesar da importância.
Para o telespectador fica no ar um sinal de frustração. É claro que a Record está investindo pesado no trabalho. Mas muita gente ainda não costuma sintonizar no canal. Aliás, em muitos lugares de Sergipe o sinal sequer chega. E no Brasil afora deve ser assim também. Porque aí entra uma questão de investimento em satélites e coisa e tal. E nisso a Globo é imbatível. Mas vai privar os brasileiros de acompanhar tão importante competição esportiva das Américas. A não ser que seja pra falar mal de alguma coisa, justamente para ‘queimar’ a concorrente.
É bom lembrar que os Jogos Pan-Americanos reúnem os atletas do continente americano em um festival de esportes e amizade internacional. O evento acontece a cada quatro anos, sempre no ano que antecede aos Jogos Olímpicos. O último havia sido no Rio de Janeiro, com cobertura estrondosa da Globo. Nesse agora, quem gosta de Globo Esporte, Esporte Espetacular e até dos programas da Sportv, que é o canal pago da Globo, ficará sem saber de nada do Pan-Americano do México. Lamentável. Talvez apenas emissoras menores como Band, SBT e outras se interessem em divulgar notas e flashs das competições que envolvem atletas brasileiros.
Para quem não sabe, essa guerrinha também alcança as coisas locais. Aqui mesmo no blog eu já havia criticado a pequenez da TV Sergipe (Globo) quando a TV Atalaia (Record) detinha a exclusividade para transmissão do pobre campeonato sergipano de futebol. Era desprezo total à competição por parte dos ‘globais’ nativos. E assim prossegue a guerra das poderosas. Como foi durante o recente Rock in Rio, no Rio de Janeiro. Como era evento com o dedo da Globo, apesar da dimensão mundial, a Record fazia de conta que não existia. E nisso tudo só quem perde é o telespectador, mesmo ciente de que as emissoras são uma concessão pública, com deveres e obrigações perante o público, pobre público.

Gilson Sousa

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Tragédia humana é o filé do telejornalismo no Brasil


Pelo visto, mostrar as variadas tragédias provocadas e sofridas por seres humanos é o que há de mais valioso no telejornalismo brasileiro. Basta constatar as principais chamadas diárias: assassinatos, seqüestros, acidentes aéreos ou terrestres, corrupção política, graves problemas administrativos, fome e miséria. Esse é o cardápio diário do telejornalismo que alavanca audiência no Brasil. Falar de coisa boa, só no final da edição. E olhe lá!
Para comprovar essa teoria, mostro a conquista do Jornal Nacional, da Rede Globo, que faturou o prêmio Emmy Internacional, na categoria notícia. Dizem que corresponde ao Oscar da televisão. E com qual notícia a Globo ganhou? Miséria, é claro. Foi com a cobertura da ocupação do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em novembro do ano passado. Nesse caso, o Jornal Nacional concorreu com a cobertura da retomada do Conjunto de Favelas do Alemão, pelas forças públicas de segurança. Foi uma bagaceira, sempre evidenciando o poderio da bandidagem diante do Estado.
Na cerimônia de premiação, dia 26, em Nova York, o jornalista William Bonner, editor e apresentador do JN, disse que nos últimos nove anos, o telejornal esteve sete vezes colocado entre os quatro melhores do mundo. E sempre com reportagens enfocando a miséria e a tragédia. Em 2002 havia sido finalista do Emmy com a cobertura dos atentados de 11 de setembro. Em 2005 concorreu com as reportagens sobre a reeleição do ex-presidente George Bush.
Em 2007 com a Caravana JN, que percorreu o Brasil em 2006 mostrando o atraso e a precariedade do nosso país em variados setores. No ano seguinte concorreu com a cobertura do acidente do Airbus da TAM, em São Paulo. Em 2009, a indicação veio com a reportagem sobre o caso da jovem Eloá, sequestrada e morta pelo ex-namorado em Santo André, no ABC Paulista. Um ano depois, o JN chegou de novo à final com a cobertura do apagão de energia em 18 estados que afetou milhões de pessoas. Ou seja, notícia boa não dá Ibope. E muito menos premiação.

Gilson Sousa

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A miss dos sonhos virou realidade para o mundo


Está ruindo o império das bárbies no âmbito do concurso Miss Universo. Neste ano, dentre dezenas de loiras magérrimas que pela enésima vez disputaram o famoso título, uma belíssima negra angolana, não menos magra que as demais concorrentes, levou a melhor. Leila Lopes, a angolana, é a nova dona do cetro e da coroa cobiçada pelas bárbies mundo afora.
No concurso realizado em São Paulo ela era a única negra a estar entre as finalistas - e quarta integrante do continente africano a vencer. Para muitos, isso pode ter sido apenas uma mera escolha de uma mulher bonita entre tantas. Mas não é só isso. Atentem. É uma quebra de paradigma nos padrões de beleza. Aliás, uma quebra de paradigma em certos conceitos humanos.
Lembrem que foi assim quando Naomi Campbel se tornou a modelo mais bem paga do mundo; foi assim quando Barak Obama venceu as eleições para a presidência dos Estados Unidos; assim quando Lewis Hamilton foi campeão mundial de fórmula 1 em 2008; e foi assim agora no Miss Universo com a vitória de Leila Lopes, um exemplo de que beleza e competência não têm cor de pele, assim como tantos outros aspectos pertinentes ao ser humano. Só nos resta, creio, a escolha de um papa negro para comandar o Vaticano.
Quanto à Leila, que é conhecida em seu país como "diamante negro", superou 88 candidatas do mundo inteiro no concurso deste ano. Aos jornalistas, após a vitória, ela falou sobre a questão do racismo no mundo. "Felizmente o racismo não me atinge. Acho que os racistas precisam procurar ajuda, não é normal em pleno século XXI ainda pensarem nessa forma. Devemos todos nos respeitar, independente da raça, do sexo e do meio social", frisou a bela.
Sobre o seu reinado de miss, ela contou que irá trabalhar a favor de causas sociais que envolvem a África. "Minha beleza vai ajudar a todos. Vou lutar contra a AIDS, porque este é o principal projeto em Angola", disse. E para finalizar, eu não perderia a chance de espalhar essa notícia também: Leila é flamenguista, justamente a embaixadora da torcida Fla-Angola. Quem agüenta?

Gilson Sousa

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Uma expressiva contribuição à baixa estima dos sergipanos


Muito pertinente a crítica feita pelo radialista Fernando Cabral, presidente do sindicato estadual de sua categoria, ao programa Terra Serigy, da TV Sergipe, a ser exibido neste sábado. Sem justa causa, a TV irá mostrar num importantíssimo espaço concebido para propagar aspectos da vida sergipana, uma mera ovação a uma turnê da cantora baiana Ivete Sangalo. Coisa indevida.
Para mim, trata-se mesmo de uma expressiva contribuição à baixa estima dos artistas locais. É também, sem dúvida, uma das maiores agressões à sergipanidade já registrada na televisão desse Estado. Isso levando-se em consideração o fato de que o Terra Serigy deveria somente exibir atributos da nossa gente. E não me venham falar em bairrismo, pois isso é justamente o que nos carece.
A propósito, Cabral deixou claro em sua crítica que não tem nada contra a cantora Ivete Sangalo, artista de grande talento e admirada pelo Brasil afora. “Será que algum artista sergipano conseguiria o mesmo espaço na Rede Bahia?”, questiona. “É uma total descaracterização do programa que já não é mais o mesmo desde a chegada do atual diretor de jornalismo”, admite o dirigente sindical.
É claro que o povão irá adorar ver na telinha um vasto noticiário sobre Ivete Sangalo. Ela é querida por muitos. Só que a emissora de tv não precisa sacrificar nossos espaços para exaltar a cultura alheia. Se for falta de pauta, o jeito é baixar a guarda e investir mais na criatividade. No entanto, se o problema for a intencional desvalorização da sergipanidade, o jeito é conclamar a sociedade para o boicote.
Levar ao público as coisas de Sergipe é algo extraordinário e necessário. Nos tempos em que a jornalista Sayonara Hygia, amparada pelo criativo Pedro Carregosa, tocava o programa, a conversa com o telespectador era literalmente outra. Comparado àquilo, somente o programa ‘Descobrindo Sergipe’, da TV Alese, que era apresentado pelo radialista João Jatobá. Ali sim podíamos dizer que eram grandes contribuições à cultura local.
Portanto, sabendo que a TV Sergipe é composta por uma maioria de bons profissionais da comunicação, não custa dizer que é preciso repensar o foco. Necessitamos de uma maior identidade com nós mesmos, daí a obrigação de mudança de rumo em determinados produtos da emissora. Se é que vocês me entendem.


Gilson Sousa

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Salvem as professorinhas!


Vejam, senhores e senhoras, a que ponto chegamos neste país. Num momento em que tanto se discute através da mídia a valorização do professor e sua conseqüente colaboração para se definir um país desenvolvido, vem um político cavalo e dá uma patada em todo mundo. Senão vejamos: em recente entrevista à imprensa nacional, o governador do Ceará, Cida Gomes, criticou professores da rede estadual, em greve há um mês por melhores salários e condições de trabalho, e disse que quem quer dinheiro deve procurar outra atividade. “Quem entra em atividade pública deve entrar por amor, não por dinheiro”, disse o cidadão.
Aí você pergunta: o que é mesmo que ele faz na vida? Será isso uma atividade pública ou privada? E quanto é mesmo o salário dele? Bom. Não deve ser menos de R$ 1 mil, como é o caso de vários professores daquele estado. A propósito, na entrevista o governador enfatizou que “quem desenvolve atividade pública deve colocar o amor pelo que faz na frente do retorno financeiro”. Disse também que “quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado”. Você acredita nisso saindo da boca de um político?
É importante frisar que o Sindicato dos Professores do Ceará (Apeoc) assegura que o governo daquele estado não cumpre a Lei Federal do Piso e o plano de cargos e carreiras dos professores. Mas vejam o que diz o tal Cid: “Isso é uma opinião minha que governador, prefeito, presidente, deputado, senador, vereador, médico, professor e policial devem entrar, ter como motivação para entrar na vida pública, amor e espírito público. Quem está atrás de riqueza, de dinheiro, deve procurar outro setor e não a vida pública”. Sem comentários.
Depois ainda querem dizer que educação é coisa séria.

Gilson Sousa

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Faixa de pedestres: território do ‘salve-se quem puder’


Idealizada por especialistas em trânsito europeus há décadas para garantir um espaço de livre transição de pessoas ante a movimentação de veículos motorizados, a faixa de pedestres em Aracaju é praticamente uma vilã. É um território onde o desrespeito toma conta. Um verdadeiro ‘salve-se quem puder’, principalmente quando se pretende utilizá-la da maneira correta. Por motivos como estes, vira e mexe ouve-se queixas de transeuntes e até notícias de atropelamentos em plena faixa.
É claro que a intenção da pintura destaca nas vias é muito boa, mas certamente só teria serventia em ambientes povoados por comunidades bem educadas. Nada parecido com esses selvagens, incluindo eu, que dominam o trânsito aracajuano. A não ser em determinadas localidades da zona burguesa da capital, como nas proximidades do shopping Jardins, a faixa de pedestres nessa cidade é um instrumento meramente figurativo nas pistas.
Sou testemunho diário do risco de morte de centenas de pessoas que estudam ou trabalham na Faculdade Pio Décimo da avenida Tancredo Neves. Ali é um ‘Deus nos acuda’. Não fosse a presença de um ou outro agente da SMTT em horários de extremo pico de veículos – somente em horário de extremo pico -, essas pessoas demorariam horas plantadas nas calçadas ou canteiros à espera de uma oportunidade para atravessar a rua. Mesmo com as faixas de pedestre fincadas no local. E o mesmo suplício acontece em variados pontos da cidade.
Notadamente há um gritante erro de engenharia de trânsito no que diz respeito à colocação de certas faixas em Aracaju. Algumas delas estão posicionadas em esquinas onde não há semáforo, não há alerta ao motorista, e também não há a devida atenção do pedestre ao atravessá-la. Resultado: constantes atropelamentos. Raros são os motoristas que se sensibilizam com a condição frágil do pedestre pelas vias da cidade. Isso é fato. A maioria, se pudesse, colocava o carro por cima de quem atravessasse seu caminho sem ao menos pedir licença. Duvida?
Dia desses, no salão de cortar cabelo, ouvi de um rapaz sentado ao lado que motoqueiro não precisa respeitar nada no trânsito. Muito menos faixa de pedestre. “Quem tem que parar para dar vez ao pedestre são os carros pequenos ou grandes. Moto não”, ensinava o jumento. Tentei ponderar, mas quase apanhei. Até porque o meu ‘barbeiro’ também é motociclista e pareceu-me que comungava das ideias do rapaz.
Lembro que no início dos anos 2000, o então superintende de trânsito da capital, Henrique Luduvice, investiu pesado na tentativa de educar tantos motoristas quanto pedestre quanto ao uso da faixa. Por alguns instantes a campanha até que pegou. Mas nada muito promissor. Foi-se Luduvice, foi a fugaz educação no trânsito. Portanto, caro pedestre, lhe resta orar muito quando chegar o momento de atravessar uma dessas faixas com segurança. Nada de se jogar no asfalto. Até porque, nesses casos, a lei que impera é a do mais pesado. Entende!

Gilson Sousa

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A importância científica da cachaça


Eu, cervejeiro convicto, afirmo que essa é a pesquisa científica com resultado mais óbvio que já vi em minha vida: “Ciência explica por que álcool faz os outros ficarem mais bonitos”. Já pensou!?.
Segundo a imprensa, teve gente graduada na Universidade de Roehampton, em Londres, que perdeu tempo pesquisando isso. Depois de vários testes, descobriram que o consumo de bebida alcoólica diminui a capacidade de detectar possíveis desigualdades entre os dois lados do rosto do pretendente, além de reduzir a preferência das pessoas por rostos mais simétricos. Ou seja, a bebedeira justifica a ‘momentânea queda no padrão de exigência’.
Aí eu lembro do meu amigo/irmão Harley Pedrosa. Hoje não, pois está um moço muito bem casado com a minha amiga Kátia. Mas tempos atrás, quando saíamos para beber algumas por aí, a coisa era literalmente feia. Depois de muitos goles de cerveja, qualquer bagaçada que aparecesse na frente dele se oferecendo, sem pestanejar ele traçava. E ainda saía dizendo para os amigos que tinha ‘pego’ a maior gata da festa. Coisa de cachaça.
Portanto, só falta agora os cientistas investirem numa outra pesquisa para constatar que não existe no mundo ninguém feio o suficiente: as pessoas é que bebem pouco. “De fato, após entornar alguns copos é comum achar que as pessoas ao redor se tornaram ainda mais bonitas. Mas aquilo que já foi constatado por muitos no dia seguinte agora tem explicação científica”, defendem os pesquisadores britânicos. Coisa de quem não tem muito o que fazer.


Gilson Sousa