terça-feira, 23 de abril de 2013

Intervenção na TV Sergipe

Defendo veementemente uma intervenção da Rede Globo de Televisão na programação jornalística de sua afiliada em Sergipe. Principalmente em períodos que antecedem festas e eventos organizados pela emissora da família Franco. E as justificativas são várias. A bola da vez são as ‘mega-reportagens’ feitas nos últimos dias para promover um tal de Forrozão. A coisa ocupa um tempo gigante nos telejornais, passa longe do conceito de jornalismo, e ainda exalta figuras da música que nada têm a ver com Sergipe. Aliás, o acinte é tão grande que a emissora se dá ao luxo de enviar a outros estados uma equipe completa de profissionais da comunicação para executar a tarefa. E tudo isso, é claro, desvirtuando do sentido jornalístico. Nada do que fazem é notícia, como deveria ser. Portanto, eis o primeiro motivo para a intervenção. Quem acompanha noticiários com frequência, por interesse próprio ou por dever do ofício, sabe que essa prática da TV Sergipe não vigora a partir de então. E essa mania de fazer autopromoção de suas festas e eventos utilizando o precioso espaço do telejornalismo precisa ter um fim. Não é bacana ficar empurrando goela abaixo artistas de segunda linha como Gabriel Gava, Wesley Safadão, Simone e Simária, Pablo, Dorgival Dantas e outra meia dúzia de cantores e bandas de gosto duvidoso. Digo ‘gosto duvidoso’ somente para ser gentil com eles. E tudo isso, senhores e senhoras, é feito em detrimento da cultura local. O que por si só já valeria também uma intervenção. A propósito, eu sei e todo mundo na TV sabe que quando o departamento comercial se sobrepõe ao jornalismo, a coisa desanda em relação à qualidade do trabalho. É preciso haver equilíbrio nessa relação, e a emissora em questão não está sabendo praticar o fato. Portanto esse, certamente, seria mais um motivo para a intervenção. É bem verdade que a TV Sergipe conta com um quadro de bons profissionais da comunicação, pessoas de boa formação acadêmica, mas passa a impressão de que nada disso está sendo levado em conta na hora de produzir jornalismo de qualidade. O trivial e o factual sustentam a sua programação telejornalística. Quando a meta é aparecer no plano nacional, parece que se contentam com as reportagens sobre roteiros turísticos ou sobre a seca que há séculos assola a região nordeste e já se transformou em pauta permanente do telejornalismo nacional. Nada mais. Nada no campo da ciência, do esporte, da educação... Então vamos lembrar que estamos tratando de uma concessão pública, com obrigações constitucionais e deveres com a sociedade. O fato de a emissora ter um dono com seus interesses financeiros não significa dizer que ela está aí para se pautar nas autopromoções e engabelar o povo ao bel prazer. No passado, essa mesma emissora, por defender tanto interesses políticos próprios, acabou sofrendo sua primeira intervenção. Parece que não aprendeu. Assim sendo, quer falar de música? Quer valorizar o que há de melhor por aqui? Quer educar o telespectador sergipano em relação às suas raízes? Então busquem abrir mais espaços jornalísticos para eventos como o Tributo a Irmão, que acontecerá no dia 2 de maio nos arredores do Centro de Criatividade. Ali estarão fazendo uma merecida homenagem a Irmão, cantor aracajuano falecido em novembro de 2010, artistas como Tonho Baixinho, Paulo Lobo, Rubens Lisboa, Heitor Mendonça, Cataluzes, Elvis Boa Morte, Rogério, Sena, Amorosa, Joésia Ramos, Joaquim Antonio, João da Passarada, Olga Gutierrez, Antônio Carlos du Aracaju, Mingo Santana, Neu Fontes, Jorgival Porto, Antônio Rogério, Chico Queiroga, Jorge Ducci e alguns outros. Aí sim a emissora dos Franco estaria cumprindo seu papel social e profissional. No mais, são por essas e outras que a TV Sergipe perde cada vez mais espaço para as concorrentes, principalmente para a TV Atalaia, que também é dos Franco, mas que trabalha alinhada à linguagem do ‘povão’, de forma proposital, e sem deixar de praticar o jornalismo na sua essência.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Deda, o poeta

Gilson Sousa Pouca gente no Brasil sabe, mas o grande orador do cenário político nacional que hoje governa o Estado de Sergipe, Marcelo Déda, é também um poeta de mão cheia. Tímido, literariamente falando. Mas essa condição não tira dele o mérito de estar entre os grandes poetas nascido em Sergipe. Seu poder de oratória é reconhecido até por adversários mais ferrenhos na política. Mas a poesia não viaja tão longe. O poema de Déda se esconde feito bicho arredio. Apesar da força que tem, garante quem o conhece. E assim a poesia desse homem vai enriquecendo gavetas. Vai percorrendo trilhas abismais entre os vãos da política e o desejo de se firmar num mundo bem melhor, graças ao cultivo do poeta. A propósito dessas linhas, vale lembrar que no começo desta semana, quando esteve por aqui para inaugurar obras, a presidenta Dilma Rousseff fez questão de externar ao público um pouco do Marcelo Déda poeta. Sem delongas, o encheu de elogios e o apontou no caminho dos literatos. Para que todos ouvissem, a presidenta garantiu que Déda é um grande poeta. Ultrapassa os limites da corriqueira política. “Ele fala com a alma de forma clara e mostrando sentimento e paixão. Quem fala dessa forma, são pessoas que são vistas na história da humanidade como especiais, e Déda é especial, pois consegue dizer e fazer”, abalizou Dilma Rousseff. Ela própria revelou que adora ler e ouvir coisas produzidas por Déda. Coisas que a fazem crescer como ser humano. E só a poesia de um grande poeta tem esse poder. Marcelo Déda, saibam, é um leitor voraz de poemas e crônicas da literatura brasileira. Em rodas de conversas, costuma elogiar as produções poéticas de Sergipe. Não deixa escapar nada. Além disso, ele costuma também ler poemas em voz alta para os amigos mais próximos. Gosta ainda de presentear pessoas queridas com livros de poemas. Ou seja, o homem tem a alma impregnada de poesia. Feliz de quem percebe isso. O poeta Déda, nascido em Simão Dias, rompe fronteiras universais quando quer se abastecer de palavras. É um estudioso da obra atribuída ao poeta grego Homero, principalmente no que diz respeito ao poema épico Ilíada. Em vinte cantos, essa obra do século VIII a.C, descreve a Guerra de Tróia (entre gregos e troianos). E o poeta Déda se apresenta fascinado por isso. É também um exímio conhecedor da obra do argentino Jorge Luis Borges, cujos textos costumam abordar temáticas como filosofia (e seus desdobramentos matemáticos), metafísica, mitologia e teologia, em narrativas fantásticas onde figuram os “delírios do racional” (Bioy Casares). Da literatura contemporânea brasileira, o poeta Déda consome sem cerimônias tudo aquilo que escreveu o matogrossense Manoel de Barros, seu predileto. E para que não fiquemos somente nas considerações sobre o poeta que ora se esconde por trás de uma armadura de político, eis um dos raríssimos poemas de Déda que para nossa sorte foi postado pelo também poeta e conterrâneo Amaral Cavalcante numa rede social: PALAVRAS NOVAS De Marcelo Déda Palavras novas Têm cheiro de bebê. Só vêm à luz Sob cuidados de parto artesanal. O desenho industrial Das letras tipográficas Não podem nos dar a palavra Assim no estado de menino-novo Ou de bruguelo de passarinho verde. (Estão em Estado de Dicionário, Ainda não menstruam) Palavras que tais Carecem da estufa do ouvido Ou compaixão do olho Para serem novas. Mas aí não se diz palavras novas: Reencarnação é o nome e o mistério (carne de palavra é vento)! É preciso descascar as sílabas Desfolhar fonemas, Sabe? Abrindo vargem úmida Não se acha o grão vermelho dito amendoim? Rasgando a manga espada obesa Não se revela uma prenhez amarela de dezembros? Pois! Palavras novas não aceitam cesarianas. São bem-te-vis em ovo estival Aprontando sem pressa o dia do nascimento. Mas palavras novas Podem ser repetições infinitesimais. Uma nota repetida tantas vezes Até que vire outra coisa. (Um solo de Coleman Hawkins Tem cheiro de palavra nova Mesmo que se ouça Muitas vezes). Dá-se que o jeito de encher as bochechas relaxar os lábios desnortear a língua rejuvenesce a palavra. Aí pode ser de virar assobio. Larga os beiços E arrisca deixar o vernáculo Pra ser fraseado de passarinho. Conforme! Palavras novas, compadre, Têm cheiro de bebê Mas não usam fraldas - descartáveis! Aracaju, 04 de novembro, de tarde.

domingo, 23 de setembro de 2012

Mobilidade urbana: um desafio e tanto

A partir de janeiro de 2013 a cidade de Aracaju, assim como outras mais de cinco mil Brasil afora, terá um novo prefeito. E desde já, posso garantir, a mobilidade urbana será o grande desafio para esse administrador aracajuano que virá. Seja ele quem for. É óbvio que saúde, educação, segurança, lazer são temas que precisam estar na pauta do dia de qualquer bom prefeito, mas em Aracaju a dor de cabeça já tem direção certa: mobilidade urbana adequada. O tabuleiro de xadrez idealizado pelo engenheiro militar Sebastião Pirro no início da história já não sustenta mais tanto travamento. Atualmente são cerca de 250 mil automóveis, entre grandes e pequenos, acomodando uma população de 600 mil pessoas, mais ou menos. Isso sem contar com os veículos emplacados em Socorro, São Cristóvão ou Barra dos Coqueiros que diariamente circulam pelas ruas da capital. Por esses números, caso houvesse uma fuga em massa da cidade, daria para colocar toda a população da capital confortavelmente nos veículos existentes. Ninguém ficaria a pés. E isso não é nada bom, considerando que não dispomos de espaço físico suficiente para tanta parafernália motorizada. Aracaju, coitada, conta apenas com 174 km², o que é muito pouco para tamanha frota de veículos e insensibilidades. Outra coisa. Não é novidade para ninguém que o transporte coletivo da cidade é um dos piores deste país. Ônibus novo e confortável somente em comercial de televisão. Quem precisa utilizar o transporte público no dia a dia sabe do que estou falando. A história do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), propagada nas campanhas eleitorais, parece-me história para boi dormir. Portanto, o próximo prefeito terá mesmo que quebrar a cabeça para amenizar tal situação, sob pena de ter que administrar uma cidade de estressados e inconsequentes no trânsito. Sabe-se que os últimos administradores tentaram promover melhorias na mobilidade. Algumas acertadas, outras nem tanto. A construção do viaduto do DIA, em 2007, foi um grande acerto. Mas precisamos ser mais desbravadores. Evoluir. Expandir o centro comercial, levantar edifícios-garagens, garantir cada vez mais os espaços dos pedestres, dos ciclistas, dos portadores de deficiências. Chega de egoísmos. A propósito, além de poucas, as principais avenidas aracajuanas são consideravelmente estreitas. E isso, é claro, dificulta o bom fluxo e a mobilidade devida. Vias como a Barão de Maruim, Desembargador Maynard, Contorno, Tancredo Neves, Hermes Fontes, Adélia Franco, Beira Mar, Francisco Porto, Maranhão, Euclides Figueiredo, Rio de Janeiro e algumas outras precisam ser repensadas. Antes que seja tarde demais. Por último, quero dizer que a sinalização vertical de Aracaju deixa muito a desejar. Os agentes de trânsito, na sua maioria, são notadamente despreparados para a função. Até porque não há investimentos direcionados para tal qualificação, pelo o que se percebe. E a educação do povo? Dos motoristas? Pelo amor de Deus! Isso tudo precisa ser anotado pelo próximo prefeito. Antes, reafirmo, que o caos tome conta dessa cidade outrora tranquila. Gilson Sousa

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A Prima na piscina do quintal

Sinceramente, não aguento mais a bagunça que minha prima faz no quintal de casa todo fim de semana quando monta aquela piscina de plástico para se divertir. Não sou obrigado a ficar vendo aquela anarquia toda. Quando veio morar aqui, jurou manter bom comportamento. E foi somente por isso que disse a tio Herinaldo, que já foi pro céu, e tia Malvina, que sequer enxerga mais, que iria acolher a moça. Mas tá ficando abusada. Domingo mesmo, sequer tinha sol, mas ela tava lá. Os vizinhos até ficam pendurados no muro, não sei pra quê. Só sei que essa minha prima adora tirar meu sossego. E como se não bastasse, fica me obrigando a passar bronzeador nas partes dela. Quem já se viu isso? Nem sol tem. Só capricho... só capricho. Gilson Sousa

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Minha Chapeuzinho

Ritinha, que no seu décimo sexto aniversário ganhou de presente uma linda capa vermelha confeccionada por sua avó, adorava atravessar a rodovia perto de sua casa e bater papo com os caminhoneiros estacionados no posto de gasolina. Era desinibida. Tinha uma inteligência admirável e até jogava dominó e xadrez como ninguém. Certo dia, sua mãe lhe pediu para levar alguns doces a avó que morava do outro lado da rodovia, próximo a um pequeno bosque. Ritinha adorou a ideia. Era um dia frio. Mesmo assim a menina não se intimidou. Cesta de doces na mão, capa vermelha no corpo e a cabeça protegida. Já no bosque, enquanto cantarolava em meio às folhas, flores e galhos, encontrou um dos caminhoneiros que cochilava em total despreocupação. Chamava-se, ela lembrava bem, Sr. Paulo Lobo. E mesmo se esforçando para não acordá-lo, o moço despertou do sono e a interpelou: - Para onde está indo, Ritinha? - Vou à casa de minha avó levar essa cesta de doces! - É muito longe daqui?, perguntou o caminhoneiro Lobo. - Não, não. Fica logo ali atrás daquelas moitas. - Sei. Então tudo bem. Nos veremos depois, disse. Ritinha com sua capa vermelha continuou seu caminho, mas sem pressa alguma. Ela adorava contemplar a natureza e até arriscava umas conversas com os bichinhos que encontrava na mata. Coisa de menina. Algum tempo depois, chegou à casa da avó, abriu o portão, anunciou sua entrada e se deparou na sala com o Sr. Paulo Lobo e sua avó prestes a beber um refrigerante. - Ué, espantou-se a menina. – Eu não sabia que vocês se conheciam! - Estamos nos conhecendo agora, respondeu o caminhoneiro. - E como o senhor chegou aqui tão rápido? O que veio fazer? - Nada. Só pensei em proteger você durante a volta para casa. - Pois é, minha neta, esse senhor parece ser uma pessoa muito boa. Trouxe até um refrigerante para nós, disse a avó. – Vou pegar um copo para você também. - Tá bom, concordou Ritinha. Em poucos instantes, após beberem uma certa quantidade do refrigerante, as duas adormeceram ainda na sala. O Sr. Paulo Lobo vibrou. - Esse ‘Boa noite, Cinderela’ nunca falha, gabou-se o homem. E enquanto as duas mulheres – a avó e a criança – dormiam profundamente na sala, o caminhoneiro pôde desfrutar da cama macia e quentinha da avó para o seu cochilo tradicional. Afinal, o efeito da droga no refrigerante só passaria cinco horas depois. Gilson Sousa

terça-feira, 17 de julho de 2012

Nossos ídolos estão envelhecendo

Em tempos de modernidade digital, quando a informação e o conhecimento estão a um click da gente, é bom lembrar que nossos ídolos da boa música estão envelhecendo com dignidade. Agora em 2012, o país celebra a longevidade artística de uma turma que completa 70 anos de vida: Jorge Ben Jor (22/3), Gilberto Gil (26/6), Caetano Veloso (7/8), Milton Nascimento (26/10) e Paulinho da Viola (12/11). E graças a Deus, todos eles continuam com a saúde em dia. Tanto a musical quanto as demais. Assim como Gil, Caetano, Milton, Paulinho e Jorge, Tim Maia, que morreu há 14 anos, após um show em Niterói, também faria 70 anos em 2012. Já o incomparável Ney Matogrosso teve o privilégio de completar seus 70 anos no ano passado. Mas outros nomes de peso chegarão em breve à mesma marca, já que neste 2012 Chico Buarque completará 68 anos, e Gal Costa, 67 (a mesma idade que Elis Regina teria hoje). Ou seja, a nata da MPB está mesmo envelhecendo. Na casa dos 80 anos já chegaram, além de outros, João Donato e João Gilberto. Desses, o primeiro se encontra em pleno vigor musical, já o segundo continua enrolando os fãs sempre que pode. Até a turnê que comemoraria seus 80 anos de vida foi cancelada após milhares de ingressos vendidos em várias capitais. Coisas de João Gilberto. Caso estivessem vivos, os lendários Raul Seixas e Gonzaguinha estariam completando 67 anos agora. Morreram em 89 e 91, respectivamente, mas suas músicas continuarão embalando trilhas sonoras diversificadas por muito e muito tempo ainda. Outro que seria um septuagenário a essa altura é Wilson Simonal, que caso estivesse vivo faria 74 anos neste 2012. Ele morreu em junho de 2000. De tudo isso, renovando as graças por esse pessoal existir, fica uma preocupação com o futuro musical deste país. Principalmente quando se fala em qualidade na produção dos trabalhos. É certo que a renovação da MPB, da década de 1970 para cá, se fez com nomes como Djavan, João Bosco, Guilherme Arantes, Zé Ramalho, Fagner e outros. Mas essa tal ‘renovação’ vem ficando cada vez mais escassa. Por último assistimos o surgimento de nomes como Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, Vander Lee e mais alguns poucos. Dizem por aí que a mídia desconsertada e a fome capitalista das indústrias fonográficas são as grandes responsáveis pela morte lenta da MPB de boa qualidade. E isso é notório. Cada vez mais o ‘povão’ se afasta das coisas boas. Hoje o que mais interessa é o ritmo cheio de ginga, o penteado invocado, a bunda perfeita, a batida sincopada, o rostinho meigo e o pleno êxito da lavagem cerebral. Nada de letras inteligentes, instigantes, desafiadoras. O que prevê é que a geração Wi-fi, que vive conectada às redes sociais, precisa de algo mais consistente para atravessar sua trajetória. Os “Michel Teló e Cia” da vida não garantem subsistência nem tampouco avanço cultural. Mas é claro que devemos respeitar o gosto de cada um. Só não devemos concordar. Ou alguém aí pensa que essa gente vai chegar aos 70 com essa ‘pegada’ toda? Nem com Viagra. Gilson Sousa

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Não existe jornalismo investigativo em Sergipe


Sou partidário de que devemos sempre aplaudir o trabalho investigativo da grande imprensa no Brasil. Em geral, quando essa investigação trata de corrupção ou mazela do serviço público, acaba trazendo resultados positivos à sociedade. Isso, é claro, quando as autoridades se interessam pelas providências.
É bacana acompanhar o trabalho dos grandes jornais e revistas do Sudeste, assim como as investidas das grandes emissoras de televisão quando não medem esforços para desnudar fatos que envergonham o país. Pena que isso não é regra entre os veículos de comunicação. A grande maioria, mesmo consciente do seu grande poder, prefere se omitir ou se limitar ao factual.
Esse é o caso local. Há tempos não se tem registro de reportagens investigativas de grande impacto na nossa imprensa. Até parece que na política, na economia, ciência, indústria, tecnologia, educação, em nenhum desses setores existe algo de muito bom ou muito ruim para ser contado. Preferimos nos deter ao factual. E onde está a culpa ou o culpado?
O fato é que não há interesse e muito menos investimento nesse tipo de atividade jornalística por aqui. Os ‘patrões’ não ligam para isso. Os ‘leitores’ e ‘telespectadores’ não ligam para isso. Boa parte dos jornalistas não liga para isso. As autoridades, vixe Maria, é que não ligam mesmo para isso.
Os jornais impressos, telejornais, emissoras de rádios e veículos da internet, em geral, publicam simplesmente releases ou notícias factuais. Em muitos casos, alguns deles mais parecem um mero ‘boletim de ocorrência policial’, tamanho é o destaque dado aos assassinatos, assaltos e outras atrocidades da cena social. Conclusão: não existe jornalismo investigativo em Sergipe.
Nas boas rodas de conversa, há quem sustente que mesmo o ‘factual’, se trabalhado com extrema inteligência, pode virar uma notícia interessante. Mas, com todo respeito, cadê essa ‘extrema inteligência’? Aonde ela se escondeu? O que se crê é que temos por aqui profissionais da comunicação qualificados. Temos equipamentos. Temos histórias. Nos faltam envergadura moral, investimento e boa vontade.
Como todos sabem, para se construir uma reportagem investigativa não bastam um, dois ou três dias de trabalho. Não bastam um repórter, um cinegrafista/fotógrafo e um auxiliar. É preciso muito mais que isso. E é aí que entra a falta de interesse de muitos que comandam as redações locais. Uma pena.
A propósito, falando em jornalismo investigativo, uma ideia bem sucedida da Rede Globo é o quadro ‘Câmera do JH’, exibido quase que diariamente no Jornal Hoje. Em geral, a produção do telejornal investiga alguma irregularidade cotidiana no meio social e com uma câmera escondida captura as imagens, constitui a prova e exibe aos telespectadores. Foi assim com a ação criminosa de manobristas e flanelinhas Brasil afora, e também com o comércio de diplomas falsificados.
Mas esse quadro é apenas um aperitivo. As investigações jornalísticas mais profundas costumam fazer estragos de maiores proporções. Recentemente, aliás, a própria Rede Globo descobrir um esquema corrupto nas licitações da Saúde pública no Rio de Janeiro e o fato pode mudar a postura desse processo daqui pra frente. Ponto para a sociedade. Lamento apenas a transformação do caso num circo que ocupa quase 100% do tempo de seus telejornais, inclusive o Nacional. Mas esta é outra discussão.

Gilson Sousa

sábado, 3 de março de 2012

FIFA quer chutar o traseiro do Brasil


Ouvir a verdade na ‘lata’ sempre incomoda. Chega a doer. Causa um certo incômodo. Atritos. Todavia, quando essa ‘verdade’ é verdadeira, o sujeito que a ouve, na maioria das vezes, trata logo de desqualificar quem a emitiu. É quase sempre assim. E foi assim com o episódio envolvendo o secretário-geral da FIFA, Jerome Valcke, e o governo brasileiro. “O país precisa de um pontapé no traseiro para acelerar as obras necessárias para a Copa do Mundo de 2014”, teria dito o cidadão.
E isso é mentira? É não. As obras dos estádios estão atrasadas, as reformas de aeroportos emperradas, o sistema de transporte público não anda, a rede hoteleira é de quinta categoria, enfim. Falta muita coisa para o Brasil se proclamar preparado para a Copa. E isso preocupa. Afinal, são obras grandiosas. Não são executados do dia para a noite. Por isso o alerta.
Mas o pior é que o governo brasileiro não engoliu a crítica. É claro que foi deselegante e até antidiplomática, a atitude do secretário da FIFA. Como retaliação, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, anunciou que o governo de Dilma Rousseff não "aceita mais o dirigente como interlocutor". Só porque ele falou a verdade. A verdade que dói.
Resta saber se o Brasil vai tomar vergonha e ‘acelerar’ as obras, ou vai esperar o tempo passar e na hora H arranjar aquele famoso ‘jeitinho’ para as coisas. A Copa do Mundo está aí batendo à porta, pois começa praticamente no próximo ano, com a Copa das Confederações. É esperar para ver.

Gilson Sousa

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Lorene pede passagem


É satisfatório ver de perto o crescimento positivo de alguém. Confesso, é algo que me encharca de orgulho. Seja um filho, um parente, um amigo, um conhecido até. Bom mesmo é ver pessoas progredindo. E eu acabo de testemunhar uma dessas histórias personificada na figura de Lorene Souza Vieira.
Sim, essa eu vi praticamente criança de colo. Compartilhei alegrias, preocupações, aventuras, erros e acertos. Lembro das primeiras festas, os primeiros shows, os primeiros passeios, os presentes, as broncas, cobranças, os carinhos, o respeito, o crescimento. Vi uma pessoa em plena formação.
Por isso tanta alegria. Por que nessa semana a vi colando grau na Universidade Federal de Sergipe. Aquela menina de outrora, naquele momento se transformava, inclusive, numa colega de profissão: uma jornalista. E foi bonito ver Lorene vestida numa beca, anel de formatura no dedo, mente preparada e o espírito repleto de vontade para conquistar novos territórios na profissão.
A propósito, devo ressaltar que para chegar ali ela teve e tem ao lado uma grande mãe. Rígida quando preciso, dócil quando necessário, atenta quando indispensável. Mas acima de tudo, mãezona. Mãe Cirleide. Não só de Lorene, como também de Felipe e Raphael. Os próximos a me encherem de orgulho.
Taí a lição de casa bem feita. Muito boa sorte daqui pra frente, coleguinha.

Gilson Sousa

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pisei em solo de Cleomar


Durante anos de amizade e certa cumplicidade com Cleomar Brandi, que faleceu em julho do ano passado, sempre ouvi histórias e mais histórias de um lugar chamado Ipiaú, sua terra natal. Sem dúvida, era um nome novo para todos os aracajuanos, até porque a Bahia tem mais de 400 municípios e ninguém é obrigado a conhecer um por um. Mas Ipiaú caiu no gosto da gente por conta justamente, é claro, da devoção de Cleomar ao torrão natal.
Dito isso, na semana passada, um dia antes do aniversário de nascimento do velho amigo que se foi, arrumei a mochila e parti rumo a Ipiaú, coisa de mais ou menos uns 700 quilômetros daqui. E haja paisagem pela janela do ônibus da Gontijo até Ilhéus, destino mais próximo. Mas enfim, depois de quase 12 horas de viagem, cheguei a Ipiaú. Uma típica cidade do interior brasileiro. Tem de tudo um pouco. Vasculhei o território de ponta a ponta. Pisei em solo de Cleomar.
Andei pela rua 2 de Julho, na qual ele e seus irmãos nasceram e viveram a infância; passeei pela praça Ruy Barbosa, ponto da cidade que marcou a gurizada; percorri as margens do rio das Contas, a maior referência da infância de Cleomar; conversei com muita gente da cidade, bebi cerveja gelada nos barzinhos do centro; fiz amizade com o jornalista local Zé Américo; e até concedi entrevista na rádio Educadora de Ipiaú. Ou seja, uma viagem proveitosa.
A cidade onde nasceu Cleomar Brandi, cravada na região cacaueira da Bahia, é pequena e organizada. Tem um excelente povo devoto de São Roque, um comércio respeitável e uma acolhida que não faz inveja a cidade alguma da Bahia. Tudo do jeito que Cleomar preconizava. Aliás, saí de lá com a informação de que nosso Cleomar Brandi (e deles também) vai virar nome de rua na cidade. Uma homenagem justa a um filho ilustre. Vida longa a Ipiaú.

Gilson Sousa

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

O réveillon da minha prima


E eu que pensei que começaria 2012 sossegado. Mergulhado num mar de tranqüilidade porque minha prima tinha ido pra Capela, e eu, enfim, ficaria uns dias serenado em meu apartamento. Mas que nada. Nem bem amanheceu o primeiro dia do ano e olhe ela de volta. Cheia de ziriguidum e disse-me-disse. Reclamando da vida porque alega que comeu demais no Natal e no réveillon e está muito ‘cheinha’. Bem feito.
Eu continuo não dando bola pra essa moça de tanta sibiteza. Só tolero em minha casa para confortar tio Herinaldo, que já foi pro céu, e tia Malvina, que sequer enxerga mais. Mas essa prima não merece. Eu percebi que ela chegou com um bafo de goró retado. Já veio me enjoando. Pediu para eu dar banho nela. É mole? Fiz que não ouvi. Fui me esconder na cozinha. Aí ela veio com um papo de ‘João sem braço’. Perguntou se eu tinha guardado peru para ela comer. ‘Oxente’, eu disse. ‘E você não tava reclamando que engordou?’. Mas ela nem liga.
Já estou percebendo que vou ter que aturar essa moça mais um bocado. Só para me engabelar, ela de vez em quando fica dizendo que gosta de mim. Diz que eu sou a salvação dela. Que faria qualquer coisa por mim. E diz até que me daria qualquer coisa, caso eu precisasse. Só que não caio nesse papo dela não. Ela gosta de me maltratar. Sabe que eu sou meio besta.
Ontem mesmo, antes de ir dormir, queria que eu fizesse cafuné nela. Pediu massagem nas coxas, pois tinha caminhado muito em Capela. Não fiz não. É muita ousadia. Mas aí ela fez um bico danado, pediu pelo amor de Deus e eu cedi. Mas só um pouquinho. Até porque ela pegou logo no sono. Tava cansada. No outro dia acordou me contando que sonhou com o estouro dos fogos de artifício dentro do quarto. Eu fiquei calado.

Gilson Sousa

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz Livro Novo


Quando 2011 começou, ele era todo seu. Foi colocado em suas mãos...
Você podia fazer dele o que quisesse ...
Era como um Livro em Branco, e nele você podia colocar: um poema,
um pesadelo, uma discussão, uma amizade, uma oração.
Podia...
Hoje não pode mais; já não é seu.
É um livro já escrito...
Concluído.
Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe será
lido, com todos os detalhes e você não poderá corrigi-lo.
Estará fora de seu alcance.
Portanto, antes que 2011 termine, reflita, tome seu velho livro e o
folheie com cuidado.
Deixe passar cada uma das páginas pela sua consciência;
Faça o exercício de ler a você mesmo.
Leia tudo...
Aprecie aquelas páginas de sua vida em que você usou seu melhor estilo.
Leia também as páginas que gostaria de não ter escrito.
Não, não tente arrancá-las.
Seria inútil.
Já estão escritas.
Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que lhe será entregue.
Assim, poderá repetir as boas coisas que escreveu, e evitar repetir as ruins.
Para escrever o seu novo livro, você contará novamente com o
instrumento do livre arbítrio, e terá, para preencher, toda a imensa
superfície do seu mundo.
Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije-o.
Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e, a seguir, coloque-o nas
mãos do Criador.
Não importa como esteja...
Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras:
Me DESCULPE e OBRIGADA!
Demonstre humildade!
E, quando 2012 chegar, lhe será entregue outro livro,
Novo, limpo, branco todo seu,
no qual você irá escrever o que desejar,
Apenas lembre-se de não cometer os mesmos erros ou enganos,
lembrando-se que Jesus diz: "Cada um colhe o que semeia”.
Assim, proponha-se desde já, usar seu Livre-Arbítrio para escrever no
Novo Livro o quanto vai amar mais, ser mais paciente, granjear
amizades, relevar atitudes
impensadas como também evitar cometê-las, ser mais compreensivo,
amoroso, dedicado, altruísta;
Enfim... fazer aos outros o que gostaria que lhe fizessem!

FELIZ LIVRO NOVO!!!

* Texto extraído da internet.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Thiago Neves vale muito mais que um hospital


Você tem ideia de quanto vale o dinheiro que carrega no bolso, na carteira ou mesmo na conta bancária? Nem eu. O que sei é que nesse sistema capitalista cada vez mais perdemos a noção de valores. Tanto na ética, na moral, nos costumes, quanto na economia, na sobrevivência.
Digo isso porque fiquei estarrecido – não é de agora – com certos valores financeiros gastos com o futebol brasileiro. E olha que não me refiro ao topo da tabela. Nem muito menos ao pagamento de altíssimos salários de jogadores e técnicos. Mas ontem mesmo li matéria nos jornais dizendo que o Flamengo deverá desembolsar cerca de R$ 18 milhões para contar com o jogador Thiago Neves na temporada 2012. Esse é o valor a ser pago pelo passe que pertence a um time da Arábia. Em seguida, li outra matéria dizendo que o governo do Estado de Sergipe gastou R$ 15.936.019,55 para construir um hospital regional em Estância. E aí?
Aí que a cabeça entrou em parafuso. É claro que o futebol é uma instituição importante para o povo brasileiro. É uma espécie de ópio. Mas há tempos estamos supervalorizando as coisas por aqui. Não é justo investir tanto dinheiro assim para um cara jogar bola. Justo é gastar na construção de um hospital, de uma escola. Ou não? Mas quem é que vai ligar para isso, né.
Em tempo: o hospital regional de Estância inaugurado ontem conta com 107 leitos para internamentos, com salas divididas para adultos, pediatria, UTI, isolamento e puerpério (pós-parto). Como nos padrões internacionais, trabalha com as áreas vermelha, amarela e verde. Possui ainda um bem equipado Centro Cirúrgico com salas para cirurgias, partos, pré-parto e recuperação pós-anestésico. Quanto ao jogador do Flamengo, Thiago Neves, sequer vai ajudar o time a conquistar uma vaga na Libertadores da América do ano que vem. Mas deixe isso para lá.

Gilson Sousa

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O país das faculdades perebentas


A desvairada sede do governo brasileiro em oferecer vagas em cursos de nível superior país afora, está mostrando sua verdadeira cara e obtendo seus reais efeitos. Após mais uma desastrosa avaliação dos cursos através do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que mede o rendimento dos alunos de graduação, ingressantes e concluintes, o Ministério da Educação (MEC) achou por bem punir com medida cautelar 60 faculdades que tiveram o Índice Geral de Cursos (IGC) abaixo de 1,45 em 2010 e conceitos insatisfatórios (1 e 2) nos dois anos anteriores. Algo vergonhoso no mundo do ensino superior.
Sergipe não teve nenhuma de suas faculdades incluídas nesta lista de 60, mas em compensação, na avaliação deste ano, apenas a UFS e Unit obtiveram nora 3, de um total de 5. As demais, entre elas Pio Décimo, Fanese e Fama, ficaram com 2. Ou seja, nada vai bem no ensino superior local. E por que isso acontece? Porque o ensino superior virou uma mercadoria. Para o governo, o que interessa é o número alto de gente matriculada nas instituições. A qualidade do ensino/aprendizagem é o que menos importa. Importa mesmo é sair dizendo mundo afora que ‘tantos milhões’ de jovens brasileiros frequentam o ensino superior. Isso sim pega bem.
Enquanto essa tragédia persiste, constatamos por aí a formação de péssimos profissionais da área de saúde, horríveis advogados, inacreditáveis professores e até espantosos engenheiros. E aí querem chamar esse país de desenvolvido. A propósito, nessa historia toda de reprovação de faculdades, doeu mesmo foi ver o nome de uma das instituições ´perebas’ do Rio de Janeiro incluído na lista: Faculdade Machado de Assis (Fama-RJ), com nota 1,36. “Nosso mestre da literatura, o velho bruxo das letras, não merecia tal decepção”, diria o leitor.
Quanto às punições, segundo o MEC, as instituições incluídas na lista ficam proibidas de aumentar a oferta de vagas em seus cursos de graduação e pós-graduações lato sensu, têm suspensos os recredenciamentos e autorizações de cursos (processos que validam os diplomas dos alunos) e irão ficar sob supervisão do ministério até que sanem as deficiências. Bem feito.

Gilson Sousa

sábado, 19 de novembro de 2011

Atenção: beber cerveja todo dia faz bem e combate até diabetes


Tá vendo aí! Os meus amigos Chico Ribeiro, Cirleide Souza, Adiberto Souza, Isaac, Matheus e tantos outros estão corretíssimos. Beber cerveja todo dia é uma maravilha. E quem disse isso foram respeitados pesquisadores espanhóis após um estudo realizado com 1.249 homens e mulheres acima de 57 anos. Segundo os especialistas, tomar uma caneca da bebida por dia combate diabetes, evita ganho de peso e previne contra hipertensão. Além de ter graduação alcoólica baixa, a cerveja contém ainda ácido fólico, vitaminas, ferro e cálcio - nutrientes que protegem o sistema cardiovascular. Tá ruim, é?
Como se não bastasse a boa notícia, os estudiosos espanhóis dizem que a cerveja não é a responsável pelo aumento da gordura abdominal. A culpa, na verdade, seria dos aperitivos gordurosos, como salgadinhos e frituras, que grande parte das pessoas consome junto à bebida. E a gente bem sabe disso. “Nesse estudo, nós conseguimos banir alguns mitos. Sabemos que a cerveja não é a culpada pela obesidade, já que ela tem cerca de 200 calorias por caneca - o mesmo que um café com leite integral”, confirma a médica Rosa Lamuela, uma das responsáveis pela pesquisa feita em parceria entre a Universidade de Barcelona, o Hospital Clínico de Barcelona e o Instituto Carlos III de Madri.
No caso da gente, cervejeiros convictos, aponto somente um possível problema: nunca ficamos apenas numa única caneca diária. Mas até acho que isso ajuda no fortalecimento dos benefícios. Portanto, como bem disse o cronista Xico Sá, “bebo muito e escrevo socialmente”. Vou ali tomar a minha caneca de hoje.

Gilson Sousa

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Paraíso dos corruptos


E a corrupção não dá trégua nesse país. Parece até que está no sangue do brasileiro que se envolve com política. Principalmente naqueles que são ordenadores de despesas. Isso, é claro, respeitando as exceções. Que são muito poucas, aliás.
Ainda bem que temos uma imprensa investigativa e corajosa na maioria das vezes. Afinal, em apenas 11 meses de governo da presidenta Dilma Rousseff, seis ministros já caíram. E o sétimo está a caminho. Podem anotar.
Segundo a imprensa, a "faxina" comandada na Esplanada dos Ministérios já derrubou Pedro Novais (PMDB-MA) do Turismo, Wagner Rossi (PMDB-SP) da Agricultura, Antonio Palocci (PT-SP) da Casa Civil, Alfredo Nascimento (PR-AM) dos Transportes, Nelson Jobim (PMDB-RS) da Defesa, e Orlando Silva (PCdoB) do Esporte. De todos, apenas Jobim não caiu após denúncias de corrupção. Ele se afastou após a repercussão negativa provocada por declarações polêmicas sobre o governo e colegas de ministério.
O próximo da lista deverá ser Carlos Lupi (PDT) do Trabalho. Quase todos os que caíram por envolvimento em corrupção eram integrantes do grupo de ministros herdados da administração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ou seja, há tempos tinha gente metendo a mão no dinheiro público. Fosse no Japão, muitos deles davam um tiro de revólver na própria cabeça. Mas no Brasil, sabe como é que é, né. Até parece que o crime compensa.

Gilson Sousa

domingo, 6 de novembro de 2011

Morte de cinegrafista no Rio é um alerta aos jornalistas


Lamentável a morte do repórter cinematográfico da TV Bandeirantes, Gelson Domingos, ocorrida neste domingo enquanto exercia sua atividade profissional no Rio de Janeiro. Bem sei do risco que representa à vida essa nossa profissão de jornalista. Ainda mais em cidades violentas como o Rio, onde a imprensa tem a missão de acompanhar de perto os conflitos entre bandidos e polícia. E foi justamente num desses conflitos que Gelson Domingos perdeu a vida.
Mesmo usando um colete à prova de balas, durante a cobertura da operação policial na Favela de Antares, em Santa Cruz, zona oeste da cidade, o cinegrafista acabou sendo atingido por um tiro de fuzil que ultrapassou sua proteção. “Foi muito rápido. Ele foi atingido pelos disparos e caiu imediatamente. Não deu nem para tirá-lo da viela. Homens do Bope começaram a atirar contra o grupo. Fiquei no meio do fogo cruzado e deitei no chão. Gelson em nenhum momento parou de filmar. Ele filmou quem o matou”, relatou o repórter Ernani Alves, colega da TV Bandeirantes.
Aqui em Sergipe os riscos na profissão de jornalista não chegam a ser assustadores, mas nunca é bom descuidar. Lembro que em meados da década de 1990, quando eu trabalhava como repórter no jornal Cinform, cheguei a correr de tiros de revólver disparados contra nossa equipe dentro de um laranjal em Boquim. Na ocasião, em companhia do sindicalista Carlos Gato, que pouco tempo depois foi assassinado, eu e o repórter fotográfico Marcos Lopes fazíamos uma reportagem sobre o trabalho infantil nos laranjais da região Centro-sul de Sergipe. Ainda bem que saímos ilesos daquela.
Quanto ao repórter cinematográfico Gelson Domingos, que tinha 46 anos de idade, resta-nos lastimar pela morte, mas também cobrar das empresas de comunicação e entidades da área mais atenção ao profissional que coloca sua vida em risco sempre que vai em busca da melhor imagem, da melhor informação a ser passada para o mundo. Com tanta temeridade em jogo, fica claro que os profissionais da imprensa no Brasil precisam se proteger muito mais, e isso depende de investimentos e treinamentos. O alerta já foi dado.

Gilson Sousa

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A celebração do Domeq


Anota a cultura oriental que no dia de finados, a melhor homenagem que podemos fazer aos entes que se foram daqui, é oferecer-lhes um alimento que era muito apreciado em vida. No caso do nosso eterno amigo/irmão Cleomar Brandi, o incomparável Chico Ribeiro Neto, seu irmão de sangue, não pensou duas vezes. Foi lá no bar de Simeão, comprou uma dose de conhaque Domeq, acondicionou numa garrafinha plástica, pediu um copo descartável e veio para mim com a missão:
- Gilson, não estarei aqui em Aracaju no dia de finados. Mas peço que vá no cemitério e deixe essa dose de Domeq ao lado do túmulo de Babalu (Cleomar). Se o coveiro beber, acho que ele vai ficar feliz. Se não beber, é capaz de ele mesmo voltar pra fazer isso!
Dito e feito. Com uma vela na mão, a garrafa com o conhaque na outra, fui direto à sepultura 14173 na Colina da Saudade. Muita gente ao redor olhava curiosa o ritual etílico pós-vida mundana. Mas ninguém ousava dizer nada. Rapidinho, como um daqueles garçons eficientes que tanto agradavam Cleomar, postei a dose ao pé do túmulo. Tentei acender a vela, mas o vento não deixou, fiz uma oração, agradeci a Oxalá por Ele estar entre nós e me despedi mais uma vez do meu amigo. Minutos depois, tratei de enviar a mensagem ao celular de Chico:
“Tarefa dada, tarefa cumprida. Babalu deve estar agora saboreando essa dose, esteja onde estiver”.

Gilson Sousa

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

João Gilberto super elitizado


Considero extremamente necessário respeitar e cultuar os grandes nomes da arte brasileira. As pessoas talentosas que fizeram e fazem a diferença, enriquecendo nosso universo cultural e abrindo caminho mundo afora para que sejamos reconhecidos como uma Nação rica e evoluída. O problema, muitas vezes, é viabilizar internamente o acesso à produção artística de qualidade e socializar esse conhecimento, aprendizagem, respeito e admiração.
Vejam o que acontece agora com o nosso João Gilberto, talvez o mais talentoso músico brasileiro de todos os tempos. Completou 80 anos de idade em 10 de junho de 2011. Data digna de todas as celebrações possíveis. Pensando assim, a produção do artista baiano que viveu longa temporada em Aracaju, organizou uma série de shows em comemoração ao feito a partir de 5 de novembro. A turnê passará por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Salvador. Mas vocês pensam que qualquer ser humano comum poderá prestigiar um desses espetáculos? É ruim, heim! Em São Paulo, o ingresso mais barato custa R$ 500, chegando a R$ 1 mil; em Brasília, o mais barato é R$ 600. em Porto Alegre é R$ 700.
Como alento, a assessoria do cantor diz que os shows fazem parte do projeto "80 Anos - Uma Vida Bossa Nova", que ainda deve resultar na gravação de dois DVDs. O primeiro, já acertado, vai registrar os shows em 2011 e o segundo, se houver, trará bastidores, gravações em estúdio e participações especiais. Até lá, ‘arrocha’ para o povão.

Gilson Sousa

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Um protesto de peito aberto


Taí um protesto interessante. Pelo menos nos últimos três anos um grupo de pessoas nos Estados Unidos vem se manifestando em Miami Beach, na Flórida, para exigir a igualdade de gênero na hora de exibir seus corpos. É a turma a favor do tão desejado topless feminino. Para justificar o protesto nas ruas, eles usam o argumento que tanto homens como mulheres possam ter o direito de fazer topless nas praias do país. A última manifestação aconteceu há um mês e se estendeu a pelo menos outras 12 cidades americanas, como Los Angeles (em Venice Beach), Califórnia e Nova York.
Na verdade, as mulheres protestantes lutam por direitos iguais em Miami Beach. Consideram o topless, um ato de igualdade com os homens. “Queremos um mundo mais igual, onde as mulheres podem exibir os seios como os homens fazem”, diziam os cartazes expostos durante a manifestação.
É claro que certas ‘aberrações’ da natureza não precisam e não devem ser mostradas em público. Mas acho o protesto americano interessante porque sempre considerei a maior besteira ficar escondendo uma parte tão linda do corpo feminino. Um pudor sem cabimento. Como que não soubéssemos o que exatamente está por trás dos biquínis. A propósito, em muitas praias da Europa, como Ibiza e outras, é muito comum a prática do topless feminino. Isso já se tornou até algo natural e cultural.
Certos estavam, e muitos continuam estando, os índios do litoral americano. Exibiam seus corpos, independente da forma, com a naturalidade abençoada por Deus. Aí vieram os imundos portugueses, espanhóis e holandeses e praticamente obrigaram o uso das vestimentas. Por sorte, muita gente não obedeceu. Como não obedece até hoje. Têm apenas que cumprir ‘regras sociais’, mas na primeira oportunidade jogam fora tudo aquilo que incomoda, seja dentro de casa ou numa praia deserta e/ou restrita, e deixam livres seus seios, pernas, bundas e o que mais quiser.
Portanto, aplausos para o movimento em favor do topless. Que seja realizado mundo afora, principalmente em terras brasileiras, onde a vaidade costuma andar de mãos dadas com o falso moralismo. Em nome da igualdade de gêneros, deixem as mulheres serem felizes. Pelo menos na praia.

Gilson Sousa