quinta-feira, 7 de março de 2013

Deda, o poeta

Gilson Sousa Pouca gente no Brasil sabe, mas o grande orador do cenário político nacional que hoje governa o Estado de Sergipe, Marcelo Déda, é também um poeta de mão cheia. Tímido, literariamente falando. Mas essa condição não tira dele o mérito de estar entre os grandes poetas nascido em Sergipe. Seu poder de oratória é reconhecido até por adversários mais ferrenhos na política. Mas a poesia não viaja tão longe. O poema de Déda se esconde feito bicho arredio. Apesar da força que tem, garante quem o conhece. E assim a poesia desse homem vai enriquecendo gavetas. Vai percorrendo trilhas abismais entre os vãos da política e o desejo de se firmar num mundo bem melhor, graças ao cultivo do poeta. A propósito dessas linhas, vale lembrar que no começo desta semana, quando esteve por aqui para inaugurar obras, a presidenta Dilma Rousseff fez questão de externar ao público um pouco do Marcelo Déda poeta. Sem delongas, o encheu de elogios e o apontou no caminho dos literatos. Para que todos ouvissem, a presidenta garantiu que Déda é um grande poeta. Ultrapassa os limites da corriqueira política. “Ele fala com a alma de forma clara e mostrando sentimento e paixão. Quem fala dessa forma, são pessoas que são vistas na história da humanidade como especiais, e Déda é especial, pois consegue dizer e fazer”, abalizou Dilma Rousseff. Ela própria revelou que adora ler e ouvir coisas produzidas por Déda. Coisas que a fazem crescer como ser humano. E só a poesia de um grande poeta tem esse poder. Marcelo Déda, saibam, é um leitor voraz de poemas e crônicas da literatura brasileira. Em rodas de conversas, costuma elogiar as produções poéticas de Sergipe. Não deixa escapar nada. Além disso, ele costuma também ler poemas em voz alta para os amigos mais próximos. Gosta ainda de presentear pessoas queridas com livros de poemas. Ou seja, o homem tem a alma impregnada de poesia. Feliz de quem percebe isso. O poeta Déda, nascido em Simão Dias, rompe fronteiras universais quando quer se abastecer de palavras. É um estudioso da obra atribuída ao poeta grego Homero, principalmente no que diz respeito ao poema épico Ilíada. Em vinte cantos, essa obra do século VIII a.C, descreve a Guerra de Tróia (entre gregos e troianos). E o poeta Déda se apresenta fascinado por isso. É também um exímio conhecedor da obra do argentino Jorge Luis Borges, cujos textos costumam abordar temáticas como filosofia (e seus desdobramentos matemáticos), metafísica, mitologia e teologia, em narrativas fantásticas onde figuram os “delírios do racional” (Bioy Casares). Da literatura contemporânea brasileira, o poeta Déda consome sem cerimônias tudo aquilo que escreveu o matogrossense Manoel de Barros, seu predileto. E para que não fiquemos somente nas considerações sobre o poeta que ora se esconde por trás de uma armadura de político, eis um dos raríssimos poemas de Déda que para nossa sorte foi postado pelo também poeta e conterrâneo Amaral Cavalcante numa rede social: PALAVRAS NOVAS De Marcelo Déda Palavras novas Têm cheiro de bebê. Só vêm à luz Sob cuidados de parto artesanal. O desenho industrial Das letras tipográficas Não podem nos dar a palavra Assim no estado de menino-novo Ou de bruguelo de passarinho verde. (Estão em Estado de Dicionário, Ainda não menstruam) Palavras que tais Carecem da estufa do ouvido Ou compaixão do olho Para serem novas. Mas aí não se diz palavras novas: Reencarnação é o nome e o mistério (carne de palavra é vento)! É preciso descascar as sílabas Desfolhar fonemas, Sabe? Abrindo vargem úmida Não se acha o grão vermelho dito amendoim? Rasgando a manga espada obesa Não se revela uma prenhez amarela de dezembros? Pois! Palavras novas não aceitam cesarianas. São bem-te-vis em ovo estival Aprontando sem pressa o dia do nascimento. Mas palavras novas Podem ser repetições infinitesimais. Uma nota repetida tantas vezes Até que vire outra coisa. (Um solo de Coleman Hawkins Tem cheiro de palavra nova Mesmo que se ouça Muitas vezes). Dá-se que o jeito de encher as bochechas relaxar os lábios desnortear a língua rejuvenesce a palavra. Aí pode ser de virar assobio. Larga os beiços E arrisca deixar o vernáculo Pra ser fraseado de passarinho. Conforme! Palavras novas, compadre, Têm cheiro de bebê Mas não usam fraldas - descartáveis! Aracaju, 04 de novembro, de tarde.

Um comentário:

  1. Grande novidade ! Grande homem, grande poeta ! bjs Gilson!

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