terça-feira, 1 de junho de 2010

Big brother infantil nas escolas do país


De forma bastante inteligente, a equipe de jornalistas do Telejornal Hoje (Rede Globo) criou um quadro chamado “Vai dar o que falar”. Discute essencialmente pautas do Congresso Nacional que podem mexer com a vida do cidadão brasileiro. Sejam elas idiotas ou não. O fato é que traz à luz fatos que merecem mesmo uma boa discussão. Hoje mesmo eles abordaram um projeto de lei que prevê a instalação de câmeras de vigilância dentro de escolas infantis, seja ela pública ou privada.
De acordo com a matéria, o projeto em discussão no Congresso obriga todas as escolas de educação infantil a instalar câmeras para monitorar as crianças de até 6 anos e professores. O objetivo é coibir casos de violência na primeira infância. Mas será que isto é certo? Eu mesmo sou contra. Essa moda big brother não pode pegar assim aleatoriamente. É um precedente perigoso. Daqui a pouco vai ter câmeras nos banheiros, nos alojamentos das crianças, e a direção da escola vai dizer que está amparada na lei.
Já imaginou esses equipamentos em escolas públicas de bairros – com todo o respeito – como Santa Maria, Conjunto Jardim e por aí afora? Seria, certamente, dinheiro público jogado no lixo. E muito dinheiro, por sinal. Esses equipamentos custam caro, e isso sem contar com os custos de manutenção e operação. Portanto, esse deputado que teve a ideia de apresentar o projeto, deveria mesmo era... deixa pra lá. Afinal, seu projeto de lei deu no que falar.
Quanto à reportagem do Jornal Hoje, as várias opiniões prós e contras a ideia das câmeras foram exibidas de forma democrática. De acordo com o vídeo, uma escola particular em Brasília já usa o sistema de monitoramento. As câmeras estão espalhadas pelos corredores e também nas áreas de recreação, bem por isso, de casa, pela internet, os pais acompanham o que acontece com os filhos no prédio da escola. Mas pergunto novamente: isto é correto?
Uma outra escola, segundo a reportagem, vai na contramão da ideia. Ela valoriza na aprendizagem, a vivência dos alunos. Por esse motivo, a palavra das crianças em questão vale mais do que qualquer imagem. Ou seja, quando o aluno conversa com os pais sobre o dia na escola, o que conta é a sua palavra. “Se você declara que tem uma monitoração, você tira essa naturalidade”, garante Julia Passarinho, diretora da escola citada.

Gilson Sousa

5 comentários:

  1. Acho que o governo deveria se preocupar com o preparo dos professores perante os alunos e fiscalizar melhor o tipo de educação que cada escola oferece, do que tá com esse papo furado de câmeras nas escolas,eu acho um absurdo! pra que? resolve alguma coisa? o que os guris fazem de tão grave que precise de monitoramento? Na minha época (acho que na sua também), existiam os inspetores que eram muito respeitados, mas o que dizer hoje, de escolas que liberam alunos a entrarem de bermuda, sandália e boné? sem contar o capitalismo,o professor não pode reprovar alunos em escolas particulares.

    Isaac

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  2. Gilson, aqui em Aracaju tem escolas que já utilizam câmeras em salas de aula. Agora, eu vejo por um lado positivo. Uma colega, que tem dois filhos pequenos num desses colégios, viu (através da câmera) sua menina sozinha no canto da sala enquanto as outras crianças faziam atividades com a professora. A mãe ligou para a escola e pediu que alguém fosse averiguar o que estava acontecendo e descobriram que a filha dessa minha colega estava com febre. Resultado: a mãe foi buscá-la para cuidar dela em casa. Se não fosse a mãe ter visto pela internet, a criança ficaria lá, no canto, sem os cuidados necessários.

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  3. Sorria você está sendo filmado! É assim que vai se comportar a meninada ao saber que todos seus passos estão sendo registrados por cãmeras espalhadas pela Escola. Vão brincar de BBB,claro! Para o bem delas, por não perceberem a dimensão dessa "invasão". Para os pais, por favor, vigilância não é sinal de zelo e cuidado! Se o problema tiver que acontecer, acontece com ou sem câmera. Vale lembrar que a escola é também espaço de construção da autonomia da criança. E é por excelência, escpaço social em que demanda a necessidade de agir mediante regras do coletivo. As vezes o que o pai/mãe bisbilhota não corresponde exatamete aquilo que os seus olhos vêem. Há todo um contexto e pactuação que diz respeito somente aquele convívio social. É preciso muito cuidado no uso desse recurso.

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  5. 'Já imaginou esses equipamentos em escolas públicas de bairros – com todo o respeito – como Santa Maria, Conjunto Jardim e por aí afora? Seria, certamente, dinheiro público jogado no lixo. E muito dinheiro, por sinal.'

    A pressuposição de que os recantos pobres não otimizam o que o Estado disponibiliza para eles, sejam quais forem os recursos disponibilizados ali, já é um endosso de que devam viver à mercê do poder público. Isso porque , câmeras nesses bairros 'menos favorecidos' seria um indício de que as populações em situação de risco (no caso as crianças estudantes destes bairros) estariam sendo preservadas de situações onde a omissão da sociedade como um todo é latente. Não utilizar cameras de segurança em escolas da periferia, seria o mesmo que disponibilizar água de qualidade inferior nestes bairros, enquanto que outros de classe média-alta tivesem em suas torneiras água da melhor qualidade

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