
Peço aplausos para a reportagem da Veja, assinada pelos jornalistas Ronaldo Soares e Roberta de Abreu Lima, que trata da atitude covarde e mesquinha da procuradora aposentada Vera Lúcia de Sant’Anna Gomes, 66 anos. Ela é acusada de torturar com frieza e fúria uma menina de 2 anos que estava sob sua guarda, em regime de adaptação ao lar para possível adoção.
Com o sugestivo título “A confissão da bruxa”, a reportagem de capa praticamente sacramenta a culpa da mulher que vive no Rio de Janeiro e ganha, como aposentada, R$ 23 mil por mês. “... é uma dessas bruxas malvadas de carne e osso. Presa de número 323 010 do Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, ela se entregou à polícia depois de passar oito dias foragida”, conta a matéria corajosa, sem maquiagem e principalmente sem hipocrisia, fato que infelizmente domina a maioria das abordagens em nossa imprensa escrita.
A revista Veja diz ainda que a procuradora Vera Lúcia, acusada de tortura, tenta justificar sua crueldade culpando a criança. Só que uma testemunha afirma que ela também batia na mãe. “Como uma bruxa má, não demonstra nenhum arrependimento e sua lógica é a da desrazão”, cita a revista.
Sabida e com dinheiro suficiente para bancar bons advogados, Vera Lúcia admite que não poderá mais sair às ruas tranquilamente no Rio. “Crime que envolve criança tem uma repercussão muito grande. É como estupro. Se saísse hoje para caminhar em Ipanema, sei que não chegaria em casa viva”, disse a ‘bruxa’. Por fim, admite: "Chamei a garota de cachorra mesmo. Mas chamar alguém de cachorro não é ofensa. Os cães são mais amigos e leais do que muito ser humano por aí".
Cadeia nela. Quanto à criança, voltou para o abrigo e vive hoje assustada e sem querer falar com desconhecidos. Parabéns à Veja.
Gilson Sousa






