
De forma bastante inteligente, a equipe de jornalistas do Telejornal Hoje (Rede Globo) criou um quadro chamado “Vai dar o que falar”. Discute essencialmente pautas do Congresso Nacional que podem mexer com a vida do cidadão brasileiro. Sejam elas idiotas ou não. O fato é que traz à luz fatos que merecem mesmo uma boa discussão. Hoje mesmo eles abordaram um projeto de lei que prevê a instalação de câmeras de vigilância dentro de escolas infantis, seja ela pública ou privada.
De acordo com a matéria, o projeto em discussão no Congresso obriga todas as escolas de educação infantil a instalar câmeras para monitorar as crianças de até 6 anos e professores. O objetivo é coibir casos de violência na primeira infância. Mas será que isto é certo? Eu mesmo sou contra. Essa moda big brother não pode pegar assim aleatoriamente. É um precedente perigoso. Daqui a pouco vai ter câmeras nos banheiros, nos alojamentos das crianças, e a direção da escola vai dizer que está amparada na lei.
Já imaginou esses equipamentos em escolas públicas de bairros – com todo o respeito – como Santa Maria, Conjunto Jardim e por aí afora? Seria, certamente, dinheiro público jogado no lixo. E muito dinheiro, por sinal. Esses equipamentos custam caro, e isso sem contar com os custos de manutenção e operação. Portanto, esse deputado que teve a ideia de apresentar o projeto, deveria mesmo era... deixa pra lá. Afinal, seu projeto de lei deu no que falar.
Quanto à reportagem do Jornal Hoje, as várias opiniões prós e contras a ideia das câmeras foram exibidas de forma democrática. De acordo com o vídeo, uma escola particular em Brasília já usa o sistema de monitoramento. As câmeras estão espalhadas pelos corredores e também nas áreas de recreação, bem por isso, de casa, pela internet, os pais acompanham o que acontece com os filhos no prédio da escola. Mas pergunto novamente: isto é correto?
Uma outra escola, segundo a reportagem, vai na contramão da ideia. Ela valoriza na aprendizagem, a vivência dos alunos. Por esse motivo, a palavra das crianças em questão vale mais do que qualquer imagem. Ou seja, quando o aluno conversa com os pais sobre o dia na escola, o que conta é a sua palavra. “Se você declara que tem uma monitoração, você tira essa naturalidade”, garante Julia Passarinho, diretora da escola citada.
Gilson Sousa






