sexta-feira, 12 de junho de 2009

O mundo real de Marco Vieira




“A pessoa é para o que nasce”. Esse é o título de um importante documentário brasileiro que retrata a vida de três irmãs cegas. Elas vivem no interior do Nordeste e esbanjam talento natural, apesar da extrema pobreza que ronda o dia a dia das três. Pois bem. Pisando firme no solo da nossa realidade, acredito mesmo que a pessoa é para o que nasce. Quase sempre.
Nesse contexto, quero falar aqui do repórter fotográfico Marco Vieira. Talvez a grande revelação do fotojornalismo local, já que apesar dos seus 34 anos de vida, entrou no mercado de trabalho profissional há pouco tempo. O menino, posso dizer, tem talento transbordando. Ainda como estudante de jornalismo, conquistou o Prêmio Direitos Humanos Petrobras de Jornalismo, categoria mídia impressa - jornal laboratório. Um grande feito.
“Aos oito anos vi umas figurinhas em um álbum que retratava a seleção brasileira de 82, comecei a imaginar como os fotógrafos conseguiam fazer aquilo, tirar uma foto dos jogadores durante o jogo (só pode ser no intervalo, pensava eu, rsrsr)”, contou-me Marco, certa vez. “Daí o tempo passou e comecei a fotografar eventos sociais. Não tinha grana pra fazer curso de fotografia nem pra comprar equipamento. Fui autodidata. Lia tudo que encontrava sobre o tema e praticava, além de saborear trabalhos de grandes fotógrafos”.
Atento às coisas, conheci o Marquinho como estagiário do semanário Cinform. À época, ele estava ladeado pelos consagrados mestres do fotojornalismo Fernando Seixas e Jairo Andrade. Dois vovôs com bagagens sem igual em terras sergipanas. E isso fortaleceu o trabalho do menino estagiário, é lógico. A propósito, a história dele para entrar no Cinform merece ser contada:
“Eu tinha que conseguir algum estágio pra continuar cursando jornalismo. Solução: fui parar em Cabrobó (PE) e registrei a greve de fome do bispo Luiz Cáppio em 2005. Pra isso enfrentei oito horas numa caravana de religiosos com seus cânticos e mais cânticos (quase me converto). Ficou muito bom o trabalho, e ao retornar fui oferecer ao Cinform, e acabei contratado como estagiário. Passei quase três anos lá”.
Então é isso. Hoje Marco Vieira, que também é cronista, firmou seu nome no rol dos bons fotógrafos sergipanos. Alia simplicidade ao talento, conserva o bom caráter e a postura, alimenta o sonho do socialismo e acredita que suas lentes podem ajudar a melhorar o mundo em que vivemos através da sensibilidade humana. Esse é o menino a quem devemos agradecer e aplaudir. Um profissional determinado e eficiente, digno do que faz, justamente porque nasceu para isso.

As imagens acima estão no blog http://www.flickr.com/photos/marcovieira

Gilson Sousa

13 comentários:

  1. Caramba! Já vou imprimir e guardar com muito carinho em meus arquivos. Fico grato pelas palavras Gilson. Me emocionou, e ainda pude ouvir da minha filha um maaaaassssa bem grande. Espero sempre poder contribuir com o jornalismo sergipano, e colegas como você me inspiram cada vez mais. Muito obrigado!

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  2. Nosssa muito bom mesmo , vou arquivar no meu PC para não perder de vista!
    Não conheço vc, mais através de uma amiga daí de Sergipe, estou lendo agora e adorando!!!
    Moro em Manaus, mais sou paulista, e vou passar para minhas amigas e amigos!
    Abraços

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  3. Realmente o texto está bem legal, é muito bom falar de pessoas simples mas que tem carater e força de vontade,gostei muito. parabéns pelo blog!

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  4. Marcelo Conceição - estudante14 de junho de 2009 15:11

    Parabéns pela bela história em homenagem à esse grande fotógrafo.

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  5. Deni você não vale!! Kkkkkkkkkkkkk
    Parabéns grande Gilson um gol de placa falar sobre esse brilhante fotógrafo sergipano. Show!

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  6. Leandro da Graça14 de junho de 2009 18:33

    Concordo plenamente com suas palavras, Gilson.
    Marquinhos é um profissional de encher os olhos (muitas vezes literalmente, com fotos emocionantes). Na faculdade, onde descobri nele um grande amigo, por várias vezes que estávamos entre os colegas observando suas fotos o que mais se escutava era: “Marquinhos é f*da, ne?!” Fico feliz que o seu talento esteja sendo, cada dia mais, reconhecido. Definitivamente ele nasceu pra isso e não havia como ser diferente. Poderia dizer que ele está sempre no lugar certo e na hora certa. E o melhor: com uma câmera na mão.
    Após ler o texto fui dar mais uma olhada no blog dele. E novamente eu repeti: “Marquinhos é f*da, ne?!” hehehe
    Abraço

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  7. Anônimo não...Postado por Danielle Azevedo!

    Assino embaixo, Gilson!...Também tive a oportunidade de trabalhar com Marquinho no jornal Cinform, onde passei a conhecer o trabalho dele e a incluí-lo na minha lista pessoal de melhores fotógrafos. Além da garra e da competência, o que mais admiro em Marco (“lembre-se que se escreve sem o ‘s’, Dani!”) é a sua versatilidade. Sempre ouve um elogio depois de mostrar fotos... sejam elas de temática voltada ao esporte, em que consegue revelar movimento do atleta por meio de uma imagem estática... à cultura, com imagens que transmitem toda a emoção do artista...ou... à sociedade, em que aproveita para gritar por igualdade social. Sei que entre a lente da câmera e o olho deste fotógrafo existem elementos capazes de nos arrancar lágrimas e sorrisos e de nos conduzir da ficção à realidade (e vice-versa)... elementos que comunicam mais que um simples ponto de vista.... mas que nos despertam a reflexão sobre a vida e sobre o que nela estamos fazendo. É assim que fazem os bons fotógrafos! Abraços, Marco! Abraços, Gilson!

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  8. Gilson obrigada por você expressar com lindas palavras quem é realmente este fotografo Marcos Vieira, conserva o bom caráter e a postura, alimenta o sonho do socialismo e acredita que suas lentes podem ajudar a melhorar o mundo em que vivemos através da sensibilidade humana.
    Parabéns estou orgulhosa por ter você como meu amigo, sempre a arte este presente em sua vida e sabe utiliza-la com dignidade e humanismo, continue sempre assim tenho certeza que o sol ira brilhar muito mais em sua vida.
    Natália

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  9. Sem dúvida Marco Vieira é um nome de peso no fotojornalismo não só de Sergipe, como em qualquer parte do mundo. Foi com o incentivo desse grande profissional que entrei no fotojornalismo e com ele aprendi e continuo aprendendo. Esse nome forte ainda vai mais longe.

    Mário Sousa.

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  10. Postado por Thiago Paulino

    Tive oportunidade de fazer algumas viagens e aventuras como Dom Marquito... boa referência Gilson!!

    Além de excelente profissional, é uma figura humana fantástica e para arrebentar ainda é flamenguista.

    E como disse certa vez Seu Ismael Pereira em uma entrevista comentando as fotos de Maquinho.. "É... esse menino tem tutano!!"

    Abraço e parabéns pelo texto..

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  11. Belo texto! Qta dignidade, Gilson! À altura do nosso amigo.Junte-se aí o registro de que Marquinhos é ainda mais fantástico na sua simplicidade de SER, para além do mundo profissional, longe das lentes e dos olhares sobre os outros. Me identifico e admiro. Meu irmão por escolha!

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  12. Tive o prazer de trabalhar com o Marquinhos no Cinform. O cara é fera! e um amigo daqueles também (carater, dignidade, simplicidade). Vida longa ao Marquinhos!!!!

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  13. Marquinho não é só um fotógrafo com um olhar extraordinário, é um parceiro com sensibilidade ímpar. Formamos, no Cinform, uma dupla que aterrorizava e digo que só sou a jornalista que sou hoje porque tive o prazer de começar ao lade dessa figura. O trabalho dele é pra guardar na mémória - da cabeça, do computador, do pen drive....

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